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TST registra mais de 30 mil ações de assédio moral nos primeiros meses de 2026

Dados do TST revelam 30 mil novas ações por assédio moral em apenas quatro meses de 2026. Entenda o que explica o aumento e quais são os direitos do trabalhador.

Por Redacao esquerda.blog
TL;DR · 5 min de leitura

Dados do TST revelam 30 mil novas ações por assédio moral em apenas quatro meses de 2026. Entenda o que explica o aumento e quais são os direitos do trabalhador.

Trinta mil novas ações trabalhistas por assédio moral em apenas quatro meses. O Tribunal Superior do Trabalho divulgou dados que mostram que, de janeiro a abril de 2026, mais de 30 mil processos sobre o tema foram protocolados na Justiça do Trabalho. O número não veio do nada.

Segundo levantamento publicado pela Veja, entre 2020 e 2025 o Judiciário trabalhista recebeu mais de 600 mil ações com pedidos de indenização por dano moral decorrente de assédio. É uma média de 100 mil casos por ano. Se o ritmo de 2026 se mantiver, esse patamar pode ser ultrapassado antes mesmo do segundo semestre.

As queixas se repetem: cobranças excessivas, humilhações em público, ameaças veladas, isolamento profissional e metas impostas sem qualquer limite razoável. São situações que acontecem todos os dias, em escritórios, fábricas, lojas e canteiros de obras, muitas vezes sem que o trabalhador saiba que aquilo tem nome e que a lei pune.

O que está por trás dos números

O aumento dos processos tem duas explicações que coexistem. De um lado, ambientes corporativos tóxicos que resistem décadas depois de a prática ser juridicamente reconhecida como ilegal. De outro, trabalhadores mais informados sobre seus direitos e mais dispostos a usar a Justiça para defendê-los.

Ricardo Calcini, especialista em direito do trabalho e professor do Insper, avalia que o assédio moral deixou de ser tratado como questão de foro íntimo. Empresas que mantêm práticas abusivas passam a enfrentar riscos trabalhistas, financeiros e de reputação que antes eram ignorados, conforme destacou à Veja. Quando há omissão diante de humilhações ou perseguições reiteradas, o passivo da empresa cresce de forma significativa.

O Judiciário trabalhista também vem ampliando sua compreensão do que configura violência psicológica no ambiente profissional. A expansão de políticas de compliance e a criação de canais de denúncia dentro das empresas tornaram essas práticas mais visíveis e documentáveis, o que facilita a produção de provas no processo.

Direitos em pauta no governo Lula 3

O contexto político importa. O governo Lula 3 apostou em uma agenda de valorização do trabalho e dos direitos sociais, com medidas que vão da recomposição real do salário mínimo à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Essa ênfase na proteção do trabalhador tende a reforçar, ainda que indiretamente, a disposição de recorrer à Justiça quando os direitos são violados.

Não é coincidência. Quando o Estado sinaliza que o emprego digno é prioridade e que a proteção social existe, o cidadão tende a sentir que não precisa aceitar qualquer condição de trabalho. Conscientização sobre direitos e acesso à Justiça do Trabalho caminham juntas com uma agenda de Estado que coloca a dignidade no centro.

O que os números dizem sobre o Brasil

Seis décadas depois da Consolidação das Leis do Trabalho e 38 anos após a Constituição de 1988 garantir o direito a um ambiente de trabalho digno, 30 mil ações em quatro meses revelam que algo segue profundamente errado nas relações entre empregadores e empregados. Como mostra análise da Câmara dos Deputados sobre a trajetória das políticas sociais no país, conquistas formais demoram a se traduzir em realidade cotidiana para quem mais precisa.

O trabalhador que sofre assédio raramente é o executivo de alto escalão. É o operador de caixa que apanha se a meta não bater, o motorista que ouve palavrões quando atrasa uma entrega, a enfermeira humilhada na frente dos colegas pelo chefe de plantão. Quando essas pessoas chegam à Justiça, é porque algo já foi longe demais.

Sem projeções do TST para o restante do ano, a trajetória dos primeiros quatro meses indica que 2026 pode registrar o maior volume histórico de ações por assédio moral no país. A pergunta que fica é simples: as empresas vão esperar a condenação para mudar, ou vão agir antes?

Perguntas frequentes

O que é assédio moral no trabalho?

É toda conduta abusiva e repetida que degrada as condições de trabalho e afeta a dignidade do trabalhador. Inclui humilhações em público, ameaças, isolamento forçado, cobranças excessivas e imposição de metas sem qualquer base razoável.

Como denunciar assédio moral?

O trabalhador pode acionar o sindicato da categoria, usar canais internos de denúncia da empresa, registrar ocorrência na Delegacia Regional do Trabalho ou procurar a Justiça do Trabalho diretamente. Não é obrigatório ter advogado para ingressar com reclamação trabalhista.

O que a Justiça pode determinar nesses casos?

O juiz pode condenar a empresa ao pagamento de indenização por dano moral, cujo valor varia conforme a gravidade e a reiteração das condutas. Em situações mais graves, o trabalhador pode pedir a rescisão indireta do contrato, com todos os direitos de uma demissão sem justa causa.

O assédio moral é crime no Brasil?

No âmbito trabalhista, é tratado principalmente como ilícito civil, gerando direito à indenização. Alguns estados possuem legislação específica para servidores públicos. Há projetos em tramitação no Congresso para torná-lo crime federal, mas ainda sem aprovação.

Fontes
  • veja.abril.com.br — https://veja.abril.com.br/economia/mais-de-30-mil-acoes-por-assedio-moral-ja-foram-registradas-em-2026-aponta-tst/
  • ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula/
  • camara.leg.br — https://www.camara.leg.br/tv/208552-deputados-e-cientistas-politicos-analisam-os-oito-anos-de-governo-lula/
  • esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3/
  • gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/10/lula-sobre-conquistas-da-gestao-colheita-supersafra
  • fdr.com.br — https://fdr.com.br/2026/05/18/bets-entram-em-guerra-com-bolsa-familia-entenda-as-estrategias/
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