Empreendedorismo feminino bate recorde com 10,4 milhões no Brasil
Com 10,4 milhões de empreendedoras em 2025, o Brasil bate recorde histórico; mas a brecha de renda de 24% em relação aos homens ainda persiste.
Com 10,4 milhões de empreendedoras em 2025, o Brasil bate recorde histórico; mas a brecha de renda de 24% em relação aos homens ainda persiste.
O Brasil chegou a 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios em dezembro de 2025, o maior número já registrado na série histórica, conforme dados divulgados pelo Visão Oeste. O crescimento acumulado de 27% em uma década supera em 16 pontos percentuais o avanço registrado entre os homens no mesmo período, segundo levantamento do Sebrae.
Mas o recorde não veio sozinho. Atrás do número está uma combinação de crise econômica, tecnologia acessível e maior qualificação que redesenhou o perfil da empreendedora brasileira. Também persiste uma desigualdade: o rendimento médio dessas mulheres, de R$ 2.929,94, ainda fica 24% abaixo do que os homens recebem nos próprios negócios.
A distância é real. Reconhecê-la não diminui o marco, mas impede que o recorde vire vitrine sem substância.
A qualificação como alavanca
Entre 2012 e 2025, cresceu 18,6 pontos percentuais o número de empreendedoras com ensino superior, índice acima do registrado no grupo masculino. Esse preparo se reflete na formalização: 37% das mulheres empreendedoras possuem CNPJ e 43% contribuem para a previdência, proporções superiores às dos homens nos mesmos indicadores.
Para Regina Helena de Oliveira, presidente do CMEC ACEO Mulher, em Osasco, dois fatores explicam a virada. O primeiro é econômico: crises e instabilidade no emprego formal empurraram mulheres para o empreendedorismo como estratégia de sobrevivência. O segundo é tecnológico: plataformas digitais baratas tornaram possível abrir e operar negócios com investimento mínimo, abrindo portas que antes exigiam capital ou conexões.
O CMEC ACEO Mulher, criado em 2022 pela Associação Comercial de Osasco, oferece capacitação, mentorias e redes de contato para quem quer iniciar ou expandir um negócio. Experiências como essa mostram que parte do crescimento tem apoio estruturado por trás.
O que o recorde ainda não alcançou
Mulheres respondem por 34,3% do total de donos de negócios no Brasil. Mais de um terço da base empreendedora nacional, mas ainda longe da paridade. As barreiras que explicam essa distância são conhecidas: dupla jornada, menor acesso a crédito e concentração em setores de menor rentabilidade.
O contexto macroeconômico do governo Lula 3 ajuda a entender parte do impulso. Segundo o TVT News, o governo registrou quase 9 milhões de pessoas saindo da pobreza e 13 milhões da extrema pobreza entre 2022 e 2024. A renda per capita cresceu 4,9% no geral e, entre os mais pobres, 13,2%. Com mais renda circulando, mais gente encontra margem para empreender.
Outro fator é a expansão da rede de creches. Conforme destaca o PC do B, o governo entregou 3,6 mil novas unidades entre obras retomadas e construções novas. Para mulheres com filhos pequenos, ter acesso à creche não é benefício secundário: é pré-condição para qualquer atividade econômica.
Um fenômeno com raízes mais fundas
O crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil não é novidade dos últimos anos, mas o ritmo acelerou. Historicamente, crises empurram mulheres para a informalidade como estratégia de sobrevivência. O que mudou é o perfil desse movimento: maior escolaridade, mais formalização e acesso a ferramentas digitais produziram negócios com mais capacidade de durar.
Ao mesmo tempo, segundo o PT, o governo Lula 3 deve encerrar o mandato com a menor taxa média de desemprego desde 2012, projetada em 6,4%. Com o mercado formal mais aquecido, quem empreende tende a fazer isso por escolha, e não apenas por falta de alternativa. Negócios nascidos de oportunidade costumam durar mais do que os nascidos da necessidade pura.
O próximo passo
A brecha de renda de 24% entre empreendedoras e empreendedores não vai fechar sem esforço deliberado. Acesso facilitado a crédito, programas de mentoria em escala e políticas que reconheçam o custo invisível do trabalho de cuidado são passos concretos que o debate público ainda trata como secundários. O recorde de 10,4 milhões é uma conquista real. Mantê-lo e superá-lo depende de quanto o país está disposto a remover os obstáculos que ainda restam.
Perguntas frequentes
Quantas mulheres empreendedoras existem no Brasil?
Em dezembro de 2025, o Brasil registrou 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios, o maior número da série histórica, segundo o Sebrae.
As empreendedoras ganham menos do que os homens?
Sim. O rendimento médio chegou a R$ 2.929,94, o maior já registrado para o grupo, mas ainda 24% abaixo do que os homens recebem nos próprios negócios.
O que explica o crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil?
A combinação de maior escolaridade, tecnologia de baixo custo e necessidade econômica diante da instabilidade no emprego formal são os principais fatores apontados pelo Sebrae.
Mulheres empreendedoras têm mais formalização do que os homens?
Sim. Proporcionalmente, mais mulheres possuem CNPJ (37%) e contribuem para a previdência (43%) do que homens nos mesmos indicadores.
- visaooeste.com.br — https://visaooeste.com.br/empreendedorismo-feminino-bate-recorde-no-brasil-e-ultrapassa-10-milhoes-de-negocios/
- ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula/
- podeespalhar.com.br — https://podeespalhar.com.br/conteudo/conquistas-lula-3/
- tvtnews.com.br — https://tvtnews.com.br/governo-lula-apresenta-resultados-historicos/
- pcdob.org.br — https://pcdob.org.br/2025/08/governo-lula-3-apresenta-seus-principais-avancos-confira-area-a-area/
- pt.org.br — https://pt.org.br/governo-lula-3-recupera-economia-do-pais-e-bate-recordes/