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Lula reduz pobreza a recorde, mas enfrenta fiscal

O governo Lula herdou reformas fiscais do período anterior e usou o espaço para derrubar pobreza e desigualdade a mínimos históricos no Brasil.

Por Redacao esquerda.blog
TL;DR · 5 min de leitura

O governo Lula herdou reformas fiscais do período anterior e usou o espaço para derrubar pobreza e desigualdade a mínimos históricos no Brasil.

Oito milhões e setecentas mil pessoas saíram da pobreza no Brasil até 2023. Esse número, divulgado em reunião ministerial e registrado pelo PCdoB, resume o argumento central do governo Lula 3: crescimento econômico e inclusão social não são apostas incompatíveis.

O país chegou ao terceiro mandato de Lula carregando uma herança pesada. Entre 2016 e 2022, reformas profundas foram aprovadas no Congresso: teto de gastos, nova lei das estatais e reforma trabalhista, mesmo em meio a circunstâncias políticas adversas, como analisa o Esfera Brasil. Como lidar com esse legado virou a principal disputa econômica do novo governo.

A resposta foi direta: aceitar a disciplina fiscal como piso, renegociar os termos e usar o espaço para reinvestir nas políticas sociais que haviam sido desmontadas.

A herança das reformas anteriores

O teto de gastos aprovado em 2016 estabeleceu que a despesa primária federal só poderia crescer pela inflação durante dez anos. A medida estabilizou expectativas sobre a dívida pública e abriu caminho para a queda nos juros, segundo análise do Esfera Brasil. O custo foi o congelamento de investimentos em saúde e educação por anos a fio.

Já a reforma trabalhista de 2017 não alterou direitos fundamentais garantidos pela Constituição, mas reduziu em mais de 40% a litigiosidade nas relações de trabalho. Para críticos, abriu brechas à precarização. Para defensores, desburocratizou acordos coletivos. A disputa interpretativa segue aberta.

O que Lula 3 fez com essa herança

Nos primeiros cem dias do governo Lula 3, a partir de janeiro de 2023, o foco foi reparar os buracos. O Bolsa Família voltou com pagamento mínimo de R$ 600 para cerca de 21 milhões de famílias, mais R$ 150 por criança de até seis anos, beneficiando 8,9 milhões de crianças em 7,2 milhões de lares, conforme balanço do PT de Minas Gerais.

O Mais Médicos foi retomado. No fim de 2022, cinco mil equipes de saúde da família estavam sem médico. O governo prometeu 15 mil novas contratações ao longo de 2023, com preferência por médicos brasileiros. Criado em 2013, o programa já havia levado 18,2 mil profissionais a municípios de todo o Brasil, alcançando 63 milhões de pessoas.

Na habitação, mais de 5 mil moradias foram entregues nos primeiros cem dias, com meta de contratar 2 milhões de unidades até 2026 e retomar 186 mil obras paralisadas. O programa passou a atender famílias com renda de até R$ 8 mil.

Dois anos e meio depois

O balanço apresentado pelo governo em agosto de 2025 mostrou resultados que o próprio Executivo classifica como históricos. O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU. A desigualdade recuou 4,7%, o menor nível desde 2012. Outros 3,1 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza, segundo dados divulgados pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, e registrados pelo PCdoB.

Na saúde, o SUS realizou 14 milhões de cirurgias eletivas em 2024, alta de 37% sobre o último ano do governo Bolsonaro. Na educação, o Pé-de-Meia atende 5,6 milhões de jovens e 73% dos concluintes do ensino médio público se inscreveram no Enem, números que sustentam a aposta do governo na escola pública como motor de mobilidade social.

O que os dados não dizem sozinhos

A narrativa oficial celebra cada indicador. O desafio fiscal, porém, continua real. O economista Mansueto Almeida, do BTG Pactual, já advertia que o governo precisaria demonstrar comprometimento genuíno com a responsabilidade fiscal para melhorar as projeções econômicas do país, como registra o Esfera Brasil.

O governo apostou que política social é também política econômica: consumo popular aquece a demanda interna, saúde e educação elevam produtividade no médio prazo. Essa tese encontra respaldo nos dois primeiros mandatos de Lula, quando o Brasil combinou crescimento do PIB com queda expressiva da pobreza. O contexto atual, com juros altos e pressão no orçamento, torna o caminho mais estreito.

Manter o ritmo de entregas em 2026, ano eleitoral, sem abrir mão da âncora fiscal que sustenta a confiança no país: esse será o principal teste do governo Lula 3 daqui para frente.

Perguntas frequentes

O que o governo Lula 3 realizou nos primeiros 100 dias? O governo retomou o Bolsa Família com valor mínimo de R$ 600, relançou o Mais Médicos, entregou mais de 5 mil moradias e anunciou a retomada de 186 mil obras habitacionais paralisadas.

Quantas pessoas saíram da pobreza no governo Lula 3? Segundo dados oficiais divulgados em 2025, 8,7 milhões de pessoas saíram da pobreza e 3,1 milhões deixaram a extrema pobreza até 2023.

O que é o programa Pé-de-Meia? É um programa de incentivo financeiro para estudantes do ensino médio público que, em 2025, já atendia 5,6 milhões de jovens em todo o país.

Como está a desigualdade no Brasil em 2025? O índice de desigualdade recuou 4,7% no governo Lula 3, chegando ao menor nível desde 2012, segundo balanço ministerial divulgado em agosto de 2025.

Fontes
  • esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3/
  • ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula/
  • pcdob.org.br — https://pcdob.org.br/2025/08/governo-lula-3-apresenta-seus-principais-avancos-confira-area-a-area/
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