Em 2007, Lula lança o PAC e retoma obras de infraestrutura
Saiba como o PAC, lançado por Lula em 2007, prometeu transformar o crescimento econômico em obras reais e moldou o debate sobre investimento público no Brasil.
Saiba como o PAC, lançado por Lula em 2007, prometeu transformar o crescimento econômico em obras reais e moldou o debate sobre investimento público no Brasil.
Janeiro de 2007. O Brasil crescia acima de 4% ao ano, a inflação recuava e um presidente ex-operário iniciava seu segundo mandato com índices de aprovação que poucos governos conhecem. Foi nesse clima de confiança popular que Lula anunciou o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC: um plano de investimentos em infraestrutura que prometia transformar números macroeconômicos em obras visíveis para trabalhadores e famílias.
A decisão não era só técnica. Era também política. O governo Lula 1, de 2003 a 2007, havia enfrentado críticas de parte da base por manter a política de metas de inflação e superávit primário herdada do governo anterior. O PAC sinalizava que era possível, dentro da disciplina fiscal, ampliar o papel do Estado na economia. Ao mesmo tempo, entregava ao eleitor algo concreto: a promessa de que o dinheiro público chegaria onde nunca tinha chegado.
Segundo dados registrados pela Wikipédia, o governo Lula herdou em 2003 uma inflação de 12,53% e a entregou a 5,9% ao fim dos dois mandatos. O PIB cresceu em média 4,1% ao ano nos oito anos, o maior ritmo em duas décadas, impulsionado pela demanda doméstica, pelas commodities e por programas sociais como o Bolsa Família. O PAC nascia como próximo passo: converter esse dinamismo em rodovias, saneamento, habitação e energia.
O contexto histórico
O Brasil que chegava a 2007 saía de um longo período de contenção fiscal que havia estabilizado a moeda, mas deixado o investimento público minguado. A lógica era conhecida: o governo cortava gastos para honrar dívidas, e infraestrutura ficava para depois. Esse ciclo manteve crescimento sem que a qualidade dos serviços públicos acompanhasse o ritmo. O PAC tentava romper com essa equação sem abrir mão da estabilidade.
A primeira fase do programa previa investimentos superiores a R$ 500 bilhões até 2010, divididos entre logística, energia e infraestrutura social e urbana. Era o Estado brasileiro voltando a planejar o longo prazo. Para famílias sem saneamento básico e municípios com estradas precárias, isso significava algo simples: a possibilidade real de mudança.
O governo Lula de 2003 a 2010 também foi marcado pela busca do Brasil em sediar grandes eventos esportivos. Os Jogos Pan-Americanos de 2007 ocorreram em plena vigência do PAC, e a escolha do país como sede da Copa do Mundo de 2014 foi anunciada nesse mesmo período. Obras de infraestrutura e visibilidade internacional andavam juntas na estratégia do governo, e não era coincidência.
A popularidade que chega a 80%
A aprovação do governo Lula, que ultrapassou 80% ao final do segundo mandato conforme aponta a mesma fonte, não pode ser explicada só pelo crescimento do PIB. Ela reflete a percepção, especialmente entre trabalhadores e comunidades mais vulneráveis, de que as políticas chegavam à vida cotidiana. O PAC entrou nessa equação não como número de obras inauguradas, mas como símbolo de um Estado que voltava a construir.
A renda média do brasileiro cresceu mais de 23% nos oito anos de mandato, com ganhos anuais de 2,8%. Programas como o Bolsa Família ajudaram a sustentar a demanda interna mesmo nos momentos em que o cenário externo complicava. O PAC se inseria nessa arquitetura maior: era o braço de investimento de um governo que apostava no mercado interno como motor do desenvolvimento.
A herança que permanece
O modelo PAC se tornou referência no debate sobre investimento público no Brasil. O programa foi relançado em versões posteriores, inclusive no governo Lula 3, iniciado em 2023, demonstrando que a lógica de planejamento por aceleração do crescimento resistiu às alternâncias de poder. Cada vez que a economia desacelera e a infraestrutura aparece como gargalo, o nome ressurge na conversa política.
A pergunta que fica, para quem acompanha o Governo Lula e suas continuidades, é se as versões atuais do PAC conseguirão superar os obstáculos históricos: atrasos em licitações, cortes orçamentários e a dificuldade brasileira de executar grandes obras no prazo previsto. O investimento prometido e o investimento entregue raramente coincidem, e essa diferença define o quanto uma política econômica realmente transforma a vida das pessoas.
Perguntas frequentes
Quando o PAC foi lançado? O Programa de Aceleração do Crescimento foi lançado em janeiro de 2007, no início do segundo mandato do presidente Lula.
Quanto previa investir a primeira fase do PAC? A primeira fase previa mais de R$ 500 bilhões em logística, energia e infraestrutura social e urbana até 2010.
O PAC ainda existe hoje? Sim. O programa foi relançado em diferentes versões ao longo dos anos e voltou com destaque no governo Lula 3, iniciado em 2023, como instrumento central de retomada do investimento público.
Qual foi o impacto econômico do governo Lula 1? De 2003 a 2010, o PIB cresceu em média 4,1% ao ano, a inflação recuou de 12,53% para 5,9% e a renda média do brasileiro avançou mais de 23%.
- pt.wikipedia.org — https://pt.wikipedia.org/wiki/Governo_Lula_(2003%E2%80%932011)