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Diretor sindical é barrado ao tentar vistoriar obras da Copa 2026 no México

Bahia, dirigente da CUT‑PR, relata que trabalhadores da construção civil sofrem violações nos preparativos da Copa 2026 e pede que a FIFA cumpra o acordo de inspeção assinado com a ICM.

Por Luana Ferreira · Reporter de Direitos e Justica
TL;DR · 4 min de leitura

Bahia, dirigente da CUT‑PR, relata que trabalhadores da construção civil sofrem violações nos preparativos da Copa 2026 e pede que a FIFA cumpra o acordo de inspeção assinado com a ICM.

Em 13 de março de 2025, o dirigente sindical Raimundo Ribeiro, conhecido como Bahia, foi impedido pelas autoridades mexicanas de entrar no Estádio Azteca para vistoriar as obras de preparação para a Copa do Mundo de 2026. Bahia, presidente do Comitê Regional para a América Latina e Caribe da BWI Global Union e secretário de relações internacionais da Conticom, estava acompanhado do secretário-geral da ICM. Ele havia enviado a documentação solicitando acesso, mas a entrada foi negada mesmo após chegar ao local.

A impedimento ocorre apesar de um acordo firmado entre a FIFA e a ICM (Internacional de Trabajadores de la Construcción y la Madera) que estabelece procedimentos de inspeção, treinamento e relatórios conjuntos para garantir condições de trabalho decentes nas obras de estádios para torneios da entidade. Conforme noticiado pelo Proteção, o pacto foi assinado após os problemas verificados no Catar e vale para todos os eventos futuros, incluindo a edição de 2026 na América do Norte. Bahia ressaltou que, desde a Copa da África em 2010, sempre houve esse tipo de acordo, mas no México a situação está diferente.

Bahia denunciou que trabalhadores estão sem registro, enfrentam jornadas excessivas e sofrem outros abusos nos canteiros do Azteca. “Conversamos com trabalhadores na entrada da jornada. Se estão nos impedindo é porque algo para esconder existe”, afirmou o dirigente, que também ocupa a vice‑presidência da CUT Paraná. Ele destacou que a obrigação sindical é acompanhar as obras e garantir os direitos dessa categoria, sobretudo quando há indícios de informalidade e sobrecarga.

Diante do bloqueio, as entidades acionaram a FIFA para que a entidade intervenha e cumpra o acordo assinado com os trabalhadores da construção civil. Além disso, conversaram com representantes dos governos locais e também do Governo Federal do México. Para julho farão uma outra atividade, uma conferência, e estão buscando abrir portas e conseguir apoios. O objetivo é garantir que a inspeção aconteça e que eventuais irregularidades sejam corrigidas antes do início das partidas.

O Estádio Azteca, palco da abertura da Copa 2026, passou por 18 meses de reforma que incluíram instalação de gramado híbrido, novo sistema de áudio e dois telões de alta resolução, aumentando a capacidade de 83 para 87 mil pessoas. Essas adaptações foram necessárias porque, segundo a arquiteta esportiva Luísa Rosa, o projeto original de estádios como o Azteca não previa medidas de acessibilidade arquitetônica nem normas de segurança modernas. As informações constam no levantamento da CAU/BR e na Revista OE.

A decisão de usar arenas já existentes, em vez de construir novos estádios, reflete uma tendência observada em edições recentes da Copa. Segundo a Exame, nos últimos décadas os altos custos e o baixo aproveitamento pós‑evento levaram Canadá, México e Estados Unidos a priorizar reformas em vez de novas construções. No Brasil, por exemplo, os 12 estádios da Copa 2014 consumiram cerca de R$8,4 bilhões, enquanto muitas estruturas enfrentam subutilização hoje.

Esse cenário revela a importância da fiscalização sindical transnacional, sobretudo em um momento em que o [governo lula 2022 a 2026] tem defendido a valorização do trabalho decente e o fortalecimento da negociação coletiva. A atuação da ICM, respaldada por acordos com a FIFA, pode servir como ferramenta para impedir que megaeventos repitam padrões de exploração vistos em edições anteriores. Jornalistas e movimentos sociais devem acompanhar de perto se as promessas de inspeção serão cumpridas.

À medida que a competição se aproxima, a pergunta que permanece é se as autoridades mexicanas permitirão o acesso dos representantes sindicais ao Azteca e se a FIFA realmente exercerá sua pressão para garantir o acordo. A resposta terá impacto direto sobre milhares de trabalhadores da construção civil que preparam o palco da maior festa do futebol do planeta.

Por que o acesso ao Estádio Azteca foi negado? Como o acordo FIFA‑ICM pode ser aplicado na prática? Quais são os riscos de trabalhar sem registro nas obras da Copa 2026? O que o governo brasileiro pode fazer para apoiar a fiscalização internacional?

Fontes
  • pr.cut.org.br — https://pr.cut.org.br/noticias/trabalhadores-sao-impedidos-de-vistoriar-obras-da-copa-de-2026-033e
  • protecao.com.br — https://protecao.com.br/blogs/acordo-inovador-promovera-direitos-dos-trabalhadores-nas-obras-de-construcao-de-estadios-para-torneios-da-fifa
  • exame.com — https://exame.com/esporte/por-que-a-copa-de-2026-abandonou-o-modelo-de-construcao-de-estadios
  • revistaoe.com.br — https://revistaoe.com.br/engenharia-estadios-copa-2026
  • caubr.gov.br — https://caubr.gov.br/a-arquitetura-esportiva-os-estadios-da-copa-do-mundo-fifa-2026
  • telesintese.com.br — https://telesintese.com.br/a-infraestrutura-invisivel-da-copa-de-2026
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