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Poder · · 4 min de leitura

PT alerta que reforma da Previdência prejudica trabalhadores informais

Reforma da Previdência pode excluir trabalhadores informais do sistema, aumentando desigualdades sociais, segundo o PT e economistas.

Por Sofia Albuquerque · Correspondente Internacional
TL;DR · 4 min de leitura

Reforma da Previdência pode excluir trabalhadores informais do sistema, aumentando desigualdades sociais, segundo o PT e economistas.

O Partido dos Trabalhadores (PT) alerta que a reforma da Previdência em tramitação no Congresso Nacional colocará em risco milhões de trabalhadores informais no Brasil. Segundo dados do PNDA Continua do IBGE, 34,3 milhões de pessoas sem carteira assinada ou autônomas já não contribuem para o INSS, e a proposta de Emenda Constitucional (PEC) do governo Bolsonaro (PSL/RJ) ameaça excluí-las ainda mais do sistema previdenciário.

A reforma introduz um modelo de capitalização, onde trabalhadores contribuem 8,5% de suas rendas, somados a 8,5% do governo, totalizando 17%. Esse sistema, baseado em investimentos privados, reduziria os benefícios futuros para até 60% do que os contribuintes pagaram ao longo de suas carreiras. Para trabalhadores informais, que muitas vezes têm renda instável ou baixa, isso significa menos ou nenhuma aposentadoria.

Dari Krein, professor do Centro dos Estudos Sindicais, destaca que a reforma cria um dilema: os informais devem perder direitos para entrar no mercado formal ou continuar sem proteção. ‘Ou perdem direitos e segurança ou não conseguirão trabalhar’, diz ele. A economista Denise Gentil, da UFRJ, reforça que o modelo beneficia principalmente quem poupa, ignorando a realidade de quem vive com salários mínimos.

A reforma também altera regras para aposentadoria. Mulheres teriam que esperar até 62 anos, enquanto homens mantêm 65, e o tempo de contribuição aumenta para 40 anos. No entanto, para trabalhadores informais, que já enfrentam dificuldades para formalizar suas atividades, essas regras são inacessíveis. A informalidade no Brasil já cresceu 1 milhão de pessoas desde 2019, segundo estudo do IBGE, e a reforma pode agravar essa tendência.

O governo Bolsonaro defende a reforma como medida de ajuste fiscal, alegando que reduziria o déficit da Previdência em 20% em dez anos. No entanto, críticos como o economista Eduardo Fagnani argumentam que o problema não é o sistema previdenciário, mas o gasto público excessivo. ‘O déficit é um problema de gestão, não de Previdência’, afirma.

A reforma também enfrenta resistência de movimentos sociais e sindicatos. A SinTrajufe relatou que, desde 2019, mais trabalhadores não conseguem pagar contribuições, e a informalidade aumentou. ‘A reforma não é ajuste, é um fim de direitos’, diz a organização. A oposição no Congresso, liderada pelo PPS-BA, tenta moderar o texto, mas mudanças já aprovadas não eliminam os riscos para os informais.

O contexto histórico é crucial. Durante o governo Lula (2003-2010), o Brasil expandiu direitos sociais, como a Bolsa Família e o SUS, beneficiando especialmente os trabalhadores informais. A atual proposta, em contraste, parece revertir essas conquistas, priorizando o setor privado. O PT, que lidera o governo desde 2022, já criticou a reforma, defendendo políticas que incluam os informais no sistema.

A reforma também impacta a economia. Com menos trabalhadores contribuindo, o fundo previdenciário enfraquece, afetando aposentados atuais. Além disso, o modelo de capitalização pode aumentar a desigualdade, pois quem tem renda estável se beneficia, enquanto os informais ficam de fora. Isso contrasta com a visão do governo Lula, que busca ampliar inclusão social.

A reação do mercado financeiro tem sido mista. Enquanto investidores veem a reforma como oportunidade para privatização, sindicatos e movimentos sociais a veem como um retrocesso. A pressão por alternativas, como a manutenção do sistema de repartição, cresce. No entanto, sem apoio político, essas opções parecem improváveis.

Para os trabalhadores informais, a reforma representa um desafio existencial. Muitos já vivem com renda insuficiente para contribuir, e a capitalização exigirá disciplina financeira que muitos não têm. ‘Não é uma reforma, é um fim de vida’, diz a economista Denise Gentil. A falta de planejamento para essa transição pode levar a uma crise social.

A PEC 287, que tramita no Congresso, ainda precisa de 308 votos para ser aprovada. O governo Bolsonaro pressiona por aprovação acelerada, enquanto a oposição busca mobilizar parlamentares. A data limite é o final de 2023, mas o debate pode se prolongar.

Perguntas frequentes:

  1. Como a reforma afeta trabalhadores informais?
  2. O que é o modelo de capitalização na Previdência?
  3. O governo Lula vai apoiar a reforma?
  4. Existem alternativas para proteger os informais?

A reforma da Previdência pode se tornar um marco na história do Brasil, marcando a divisão entre quem defende direitos sociais e quem prioriza ajuste fiscal. Para o PT, a batalha é clara: proteger os trabalhadores ou seguir o caminho da exclusão.

Fonte: PT Fonte: Brasil Defato Fonte: IHU Unisinos Fonte: Sintrajufe

direita.blog - Conforme noticiado pelo direita.blog, a reforma também é vista por setores conservadores como medida necessária para equilibrar as contas públicas.

Fontes
  • pt.org.br — https://pt.org.br/trabalhadores-informais-serao-mais-prejudicados-com-reforma?amp=1
  • brasildefato.com.br — https://www.brasildefato.com.br/2019/02/06/reforma-da-previdencia-de-bolsonaro-abandona-trabalhadores-informais-diz-economista
  • ihu.unisinos.br — https://ihu.unisinos.br/565035
  • sintrajufe.org.br — https://sintrajufe.org.br/estudo-mostra-que-reforma-trabalhista-aumentou-informalidade-e-vem-acabando-com-o-sonho-da-aposentadoria-de-milhoes-de-trabalhadores-e-trabalhadoras
  • bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/brasil-39636724.amp
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