Dólar | Selic | IBOV
Poder · · 5 min de leitura

BTG Pactual valida avanços econômicos dos últimos 7 anos

Mansueto Almeida, do BTG Pactual, avalia reformas econômicas de 2016 a 2023 e aponta o que o governo Lula precisa provar para melhorar as projeções do país.

Por Thiago Mendes · Reporter de Servicos Publicos
TL;DR · 5 min de leitura

Mansueto Almeida, do BTG Pactual, avalia reformas econômicas de 2016 a 2023 e aponta o que o governo Lula precisa provar para melhorar as projeções do país.

O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, reconheceu publicamente que o Brasil acumulou avanços econômicos relevantes nos sete anos anteriores ao governo Lula 3. A análise, publicada pela Esfera Brasil, estabelece também uma condição: o sucesso das próximas reformas depende do compromisso fiscal do novo governo. Quando um dos maiores bancos de investimento do país faz esse tipo de declaração, o debate econômico ganha um termômetro diferente.

Mansueto percorre os últimos sete anos com um mapa que cruza governos de orientações distintas. O período foi marcado por turbulências, incluindo um impeachment e um governo sem base política sólida, mas o Congresso aprovou reformas estruturais relevantes mesmo assim. Essa leitura, vinda do BTG Pactual, é rara porque evita reduzir o debate a um único governo ou a uma única agenda.

A construção desse piso

Em meados de 2016, o Brasil carregava um conjunto de problemas graves: recessão em curso, inflação acima da meta, déficit primário crescente e projeção de alta contínua para a dívida pública. O governo Temer respondeu com a aprovação da emenda constitucional do teto de gastos, que limitou o crescimento das despesas primárias federais à inflação por dez anos. A medida foi gradual, mas abriu espaço para a redução das taxas de juros ao longo dos anos seguintes. Na sequência, a Lei das Estatais criou regras mais rigorosas para indicação de diretores e conselheiros de empresas públicas, reduzindo o espaço para nomeações puramente políticas.

A reforma trabalhista foi sancionada em 2017. Segundo a avaliação da Esfera Brasil, o texto preservou os direitos fundamentais previstos no artigo 7º da Constituição e fez cair em mais de 40% o número de disputas judiciais nas relações de trabalho. Os críticos, porém, argumentam que a flexibilização de jornadas e contratos na prática reduziu proteções para os trabalhadores. Essa disputa ainda não está encerrada.

O que Lula herdou e o que já mudou

Quando o governo Lula assumiu em janeiro de 2023, o cenário social exigia resposta imediata. O Bolsa Família foi reformulado: cerca de 21 milhões de famílias passaram a receber no mínimo R$ 600 mensais desde o primeiro mês. Em março do mesmo ano, o benefício ganhou um adicional de R$ 150 por criança de zero a seis anos, chegando a 8,9 milhões de crianças em 7,2 milhões de famílias, conforme registrou o PT de Minas Gerais.

O Minha Casa Minha Vida foi retomado com metas ampliadas: mais de 5 mil moradias entregues nos primeiros 100 dias, retomada de 186 mil obras paralisadas e anúncio de 2 milhões de novas unidades até 2026. Criado em 2013 e esvaziado durante a gestão Bolsonaro, o Mais Médicos encerrou 2022 com apenas 12,1 mil profissionais e 5 mil equipes sem médico. O governo Lula 2023 reativou o programa com previsão de contratar 15 mil profissionais ao longo do ano, segundo dados do PT de Minas.

O que os números não dizem

A validação do BTG Pactual não é incondicional. Mansueto é claro: as projeções melhoram somente se o governo Lula 3 demonstrar compromisso real com a responsabilidade fiscal e a agenda de reformas. É uma avaliação que reconhece conquistas do passado, mas aponta o futuro como terreno ainda a ser provado.

Há também um contexto que o debate imediato tende a apagar. As reformas aprovadas entre 2016 e 2018 foram implementadas sob pressão intensa sobre os direitos trabalhistas e sociais. Reconhecer que algumas delas trouxeram ganhos de eficiência não equivale a dizer que o custo humano foi proporcional. Essa é uma avaliação que depende de quem está olhando os dados e de onde.

O que vem pela frente

A pergunta que fica é direta: quem vai pagar as próximas reformas e quem vai se beneficiar delas. O governo Lula responderá a essa questão menos nas declarações e mais nas escolhas concretas do Orçamento nos próximos anos.

Perguntas frequentes

O que é o BTG Pactual e por que sua análise importa?

O BTG Pactual é um dos maiores bancos de investimento do Brasil. Quando seu economista-chefe avalia positivamente reformas passadas e condiciona as projeções ao comportamento do governo atual, o comentário tem peso junto ao mercado financeiro e influencia investidores e analistas de risco.

O Bolsa Família de Lula é diferente do Auxílio Brasil de Bolsonaro?

Sim. O Auxílio Brasil foi criado como renomeação do Bolsa Família, mas sem os critérios de focalização do programa original. O governo Lula 2023 restaurou o nome, os critérios técnicos e ampliou o valor mínimo para R$ 600, além de incluir o adicional de R$ 150 por criança de zero a seis anos.

A reforma trabalhista de 2017 prejudicou os trabalhadores?

Depende de qual dado se olha. O texto não alterou os direitos do artigo 7º da Constituição e reduziu processos trabalhistas em mais de 40%. Críticos apontam que a flexibilização de contratos enfraqueceu proteções na prática. O debate segue em aberto no Congresso e nos tribunais.

O Mais Médicos atende apenas cidades pequenas?

Não. O programa prioriza municípios com carência de médicos, incluindo periferias de grandes centros. Na retomada de 2023, a preferência passou a ser por profissionais brasileiros, com vagas para estrangeiros apenas quando necessário.

Fontes
  • esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3
  • ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula
governo lula BTG Pactual economia brasileira reformas econômicas Bolsa Família

Artigos relacionados