Jovem Aprendiz bate recorde com 726 mil contratos ativos no país
Com 54,8 mil admissões entre janeiro e abril de 2026, o Jovem Aprendiz chega ao maior número de contratos ativos da série histórica, liderado pela indústria.
Com 54,8 mil admissões entre janeiro e abril de 2026, o Jovem Aprendiz chega ao maior número de contratos ativos da série histórica, liderado pela indústria.
Para 726.025 jovens brasileiros, a semana começou com carteira assinada. O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou nesta quarta-feira que o Programa Jovem Aprendiz atingiu seu maior número de vínculos ativos desde que o Correio Braziliense passou a registrar os dados do Novo Caged para essa modalidade.
Nos primeiros quatro meses de 2026, o saldo positivo superou 54,8 mil novas admissões líquidas. Não é só estatística: são 54,8 mil jovens de 14 a 24 anos que entraram no mercado com direitos trabalhistas, salário garantido e supervisão profissional, muitos deles pela primeira vez na vida.
A indústria foi o motor desse crescimento. Só ela gerou mais de 35,7 mil novos contratos de aprendizagem no período, ficando à frente de serviços, comércio, construção civil e agropecuária. As funções mais ocupadas pelos aprendizes concentram-se em atividades administrativas e na produção industrial.
Outro dado chama a atenção no perfil de quem preenche essas vagas. As mulheres representam 52,91% dos vínculos ativos, uma maioria que inverte a lógica histórica de exclusão feminina no mercado formal jovem.
O que está por trás do número
O Jovem Aprendiz não surgiu agora. A Lei 10.097, de 2000, obriga empresas com mais de sete funcionários a contratar jovens aprendizes numa proporção do quadro total. O que mudou nos últimos anos é a combinação entre fiscalização mais ativa e um ambiente econômico que favorece a formalização.
João Victor da Motta, diretor de Políticas de Trabalho para a Juventude do Ministério, afirmou que o resultado consolida a aprendizagem como a ferramenta mais importante de inserção profissional de jovens no país, de forma segura e com garantia de direitos. O governo Lula tem apontado o desemprego em mínimos históricos como um dos pilares da gestão iniciada em 2023.
Para quem vem de vulnerabilidade social, a entrada no mercado formal tem efeito em cadeia: com o emprego chegam o FGTS, o seguro-desemprego e a contribuição previdenciária. Essa rede de proteção é exatamente o que o Bolsa Família tenta manter nos momentos de transição entre programas sociais, como mostra a nova regra em vigor desde junho que impede o corte do benefício enquanto o INSS analisa pedidos de BPC.
A ameaça que vem do STF
Enquanto os números do Jovem Aprendiz apontam para cima, o Supremo Tribunal Federal se prepara para julgar o Tema 1389, sobre a validade da chamada pejotização. Segundo o Vermelho, sindicatos e movimentos sociais consideram esse julgamento potencialmente tão impactante quanto a reforma trabalhista de 2017.
Se o STF ampliar a permissão para contratar via pessoa jurídica sem restrições, a CLT deixaria de ser a regra para se tornar exceção. Férias, 13º salário, FGTS, aviso prévio, direitos que o aprendiz conquista ao assinar seu primeiro contrato, poderiam ser esvaziados na prática para milhões de outros trabalhadores. O recorde do Jovem Aprendiz e o risco da pejotização irrestrita apontam para direções opostas.
O que isso significa para essa geração
O Brasil formalizou mais de 726 mil jovens numa única modalidade de contratação. Isso representa uma geração que aprende não só uma profissão, mas como funciona o trabalho protegido: contribuição ao INSS, direito a férias, jornada regulamentada. Para muitos, é a primeira vez que o Estado aparece como garantia, não como promessa.
Mas o recorde tem prazo de validade incerto. A decisão do STF no Tema 1389, os debates sobre a escala 6x1 e as disputas em torno do salário mínimo vão definir se essa geração entra num mercado ainda estruturado sobre a CLT ou num cenário mais frágil. A pergunta que fica é objetiva: o Brasil vai usar esse recorde como base para ampliar a proteção trabalhista, ou vai deixar que retrocessos jurídicos esvaziem o que está sendo construído?
Perguntas frequentes
O que é o Programa Jovem Aprendiz? Criado pela Lei 10.097/2000, o programa obriga empresas a contratar jovens de 14 a 24 anos em regime de aprendizagem profissional, com carteira assinada, salário mínimo hora e todos os direitos trabalhistas básicos.
Quais setores mais contratam jovens aprendizes? A indústria liderou no primeiro quadrimestre de 2026, com mais de 35,7 mil novos contratos, seguida de serviços, comércio, construção civil e agropecuária.
Quanto ganha um jovem aprendiz? A lei garante salário mínimo hora proporcional a uma jornada de no máximo seis horas diárias, além de FGTS, férias e 13º salário. O valor mensal varia conforme a carga horária contratada.
O que é o Tema 1389 do STF e por que importa? É um julgamento sobre a validade da contratação via pessoa jurídica, a pejotização. Especialistas e o movimento sindical alertam que uma decisão favorável à pejotização irrestrita pode enfraquecer a CLT e reduzir direitos trabalhistas para milhões de brasileiros.
- correiobraziliense.com.br — https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/06/7437996-jovem-aprendiz-bate-recorde-de-contratacoes-e-ultrapassa-726-mil-vinculos-ativos-no-brasil.html
- esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3
- camara.leg.br — https://www.camara.leg.br/tv/208552-deputados-e-cientistas-politicos-analisam-os-oito-anos-de-governo-lula
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/10/lula-sobre-conquistas-da-gestao-colheita-supersafra
- fdr.com.br — https://fdr.com.br/2026/06/10/nova-regra-do-governo-federal-impede-o-corte-do-bolsa-familia-nestas-condicoes/
- vermelho.org.br — https://vermelho.org.br/2026/06/09/tema-1389-e-a-proxima-batalha-que-pode-redefinir-o-futuro-do-trabalho-no-brasil/