BTG Pactual vê reformas fiscais como chave para crescimento do país
O BTG Pactual liga melhora das projeções econômicas ao compromisso com reformas, enquanto o governo Lula 3 avança em pautas sociais e tributárias no Brasil.
O BTG Pactual liga melhora das projeções econômicas ao compromisso com reformas, enquanto o governo Lula 3 avança em pautas sociais e tributárias no Brasil.
Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, foi direto: sem compromisso real com responsabilidade fiscal e reformas, as projeções para a economia brasileira não melhoram. A afirmação, publicada pela Esfera Brasil, resume o dilema central do governo Lula 3 desde 2023: conciliar rigor fiscal com a maior pauta social dos últimos anos.
O Brasil chegou ao terceiro mandato de Lula carregando sete anos de reformas estruturais. Teto de gastos, Lei das Estatais, reforma trabalhista: mudanças aprovadas entre 2016 e 2017, num período de extrema turbulência política, que remodelaram as regras do jogo econômico. Para o BTG Pactual, esse legado é o piso. O que vier a seguir define o teto, e o governo respondeu com uma agenda que vai muito além dos indicadores macroeconômicos.
O que o governo Lula 3 entregou
Nos primeiros cem dias de governo, o PT de Minas Gerais documentou: o Bolsa Família chegou a 21 milhões de famílias com piso de R$ 600, mais R$ 150 por criança de zero a seis anos, alcançando 8,9 milhões de crianças. Mais de cinco mil moradias foram entregues. O Mais Médicos foi retomado depois de ter sido desmontado na gestão anterior.
A expansão social não freou. Em entrevista ao portal do Planalto, Lula destacou que a economia registrou a menor taxa de desemprego da série histórica. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada na Câmara por unanimidade, beneficiando diretamente 10 milhões de brasileiros, com desconto progressivo para outros cinco milhões com renda até R$ 7,35 mil.
Esse número contrasta com os seis anos anteriores, entre 2016 e 2022, quando a tabela do IR não teve nenhum reajuste. Quem trabalhava e pagava imposto foi sendo taxado progressivamente mais sem que sua renda real crescesse na mesma proporção. A correção agora tem impacto direto no bolso de quem vive de salário.
A reforma tributária em andamento
Enquanto o debate fiscal domina as manchetes, a reforma tributária avança e muda algo mais difícil de mensurar: a cultura da administração pública. O Correio Braziliense reportou que a relação entre o Fisco e os contribuintes está sendo repensada a partir do 10° Congresso Luso-Brasileiro dos Auditores Fiscais. O modelo antigo, baseado no conflito e na lógica de “peguem os sonegadores”, dá lugar a uma abordagem de cooperação e conformidade tributária.
A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) são os pilares dessa transição. Mais do que simplificar o pagamento de impostos, a reforma redesenha a distribuição de receitas entre municípios, estados e União. É uma mudança federativa com décadas de atraso e que afeta diretamente o preço do que se consome no dia a dia.
O que isso significa para quem trabalha
Há algo que os relatórios do mercado raramente traduzem: reformas econômicas têm rosto. O teto de gastos aprovado em 2016 permitiu a queda dos juros, mas também comprimiu investimentos em saúde e educação por anos seguidos. A reforma trabalhista reduziu processos na Justiça do Trabalho, mas o debate sobre a qualidade dos empregos gerados nunca foi encerrado.
O terceiro governo Lula tenta demonstrar que esse é um falso dilema. Segundo análise da TV Câmara, os governos Lula de 2003 a 2010 já mostraram que crescimento com distribuição de renda é viável: o Brasil saiu de um ciclo de exclusão e fez emergir uma nova classe média que ainda hoje organiza o consumo interno do país. A equação do BTG Pactual é real, mas qual reforma, para quem e com qual custo social não é um detalhe técnico. É político.
O que vem pela frente
A isenção do IR ainda passa pelo Senado. A reforma tributária segue em implantação e os próximos anos serão de adaptação para empresas, contadores e auditores. O governo Lula 3 aposta que a combinação de agenda social forte com ajuste fiscal gradual vai convencer tanto os trabalhadores quanto o mercado.
Se essa convicção vai se traduzir em números antes das próximas eleições, ainda é cedo para saber.
Perguntas frequentes
O que o BTG Pactual disse sobre a economia brasileira?
Mansueto Almeida, economista-chefe do banco, condicionou a melhora das projeções ao compromisso do governo com responsabilidade fiscal e reformas estruturais. Sem esse sinal, as projeções para 2023 e 2024 não melhorariam.
Quais foram as principais conquistas econômicas do governo Lula 3?
Entre as principais estão a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, a menor taxa de desemprego da série histórica e a retomada do Bolsa Família com piso de R$ 600 por família.
O que é a reforma tributária com CBS e IBS?
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) substituem tributos antigos e simplificam o sistema de arrecadação, redistribuindo receitas entre municípios, estados e União.
A reforma trabalhista de 2017 retirou direitos dos trabalhadores?
O texto da lei não alterou os direitos fundamentais previstos no artigo 7° da Constituição Federal. O debate sobre os efeitos na qualidade dos empregos gerados, no entanto, segue aberto.
- esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3
- ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula
- camara.leg.br — https://www.camara.leg.br/tv/208552-deputados-e-cientistas-politicos-analisam-os-oito-anos-de-governo-lula
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/10/lula-sobre-conquistas-da-gestao-colheita-supersafra
- correiobraziliense.com.br — https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/06/7436241-reforma-tributaria-a-nova-era-da-cbs-e-ibs-e-a-nova-cultura-fiscal.html