BTG prevê melhora nas projeções se governo acelerar reformas fiscais
BTG Pactual condiciona projeções favoráveis ao compromisso fiscal do governo Lula, com isenção do IR e Reforma Tributária avançando em 2026.
BTG Pactual condiciona projeções favoráveis ao compromisso fiscal do governo Lula, com isenção do IR e Reforma Tributária avançando em 2026.
O economista-chefe do BTG Pactual foi preciso: reformas fiscais concretas podem melhorar as projeções econômicas do Brasil. A análise, publicada pela Esfera Brasil, mapeou sete anos de transformações estruturais e estabeleceu a régua pela qual o banco avalia o desempenho do governo. Com a Reforma Tributária de 2026 em plena implementação e novos marcos na proteção social, o momento pede uma releitura dessa projeção.
Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe da instituição, destacou que o Brasil chegou ao terceiro ciclo com uma base relevante: entre 2016 e 2017, foram aprovados o teto de gastos, a Lei das Estatais e a reforma trabalhista. Essas mudanças permitiram uma redução expressiva nas taxas de juros e criaram marcos de governança para as empresas públicas. A questão que o banco colocava então, e que continua válida em 2026, é se o governo vai aprofundar esse caminho ou apenas administrá-lo.
O sinal de mercado
A resposta do governo Lula 3 tem sido dada em camadas. Nos primeiros cem dias, foram assegurados R$ 600 mensais de Bolsa Família para cerca de 21 milhões de famílias, com um acréscimo de R$ 150 por criança de zero a seis anos, alcançando quase nove milhões de crianças. Não era apenas redistribuição de renda. Era sinalização de prioridades.
Em outubro de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, beneficiando dez milhões de pessoas diretamente e mais cinco milhões com desconto progressivo. Lula lembrou que entre 2016 e 2022 a tabela sequer foi corrigida pela inflação, o que representou um aumento real de imposto disfarçado de inércia.
A proteção de quem mais precisa
Na terça-feira, 2 de junho, entrou em vigor uma nova regra divulgada pelo G1: quem recebe o Bolsa Família e solicitar o Benefício de Prestação Continuada poderá manter o programa durante toda a análise do pedido. O desligamento só ocorre se o BPC for concedido. A medida resultou de um acordo entre o Ministério do Desenvolvimento Social, o INSS, a Advocacia-Geral da União e a Defensoria Pública da União.
Era uma distorção grave no sistema. A mudança anterior no cálculo do BPC, que passou a incluir o valor do Bolsa Família na renda familiar, criava o risco de as famílias perderem um benefício antes de conquistar o outro. A nova regra fecha essa brecha com uma lógica simples: ninguém fica descoberto por conta da burocracia.
O que o BTG não diz, mas os dados mostram
Analisar as projeções do banco exige colocar a história em perspectiva. Nos dois primeiros mandatos, o governo Lula encerrou o segundo ciclo com 83,4% de aprovação popular e uma nova classe média surgida da combinação de emprego formal, crédito e transferência de renda. Hoje, com a menor taxa de desemprego da série histórica e a Reforma Tributária de 2026 em implementação, o cenário é estruturalmente distinto do que o BTG analisava em 2023.
O que o banco descreve como condição, o governo interpreta como resultado. Reformas estruturais geram confiança nos investidores, mas a ausência de proteção social corrói a demanda interna. A tensão entre esses dois eixos não é nova na história econômica brasileira. O governo Lula 2025 apostou que os dois podem coexistir, e os indicadores de emprego e poder de compra do salário mínimo sugerem que, até aqui, a aposta não estava errada.
O caminho que ainda está aberto
Se o governo mantiver o ritmo de reformas sem desmontar as políticas sociais que sustentam o consumo das famílias de menor renda, as projeções otimistas do BTG tendem a se confirmar. A dúvida não é se as condições existem. A dúvida é se a articulação política vai sustentar o ritmo até o fim do mandato.
Perguntas frequentes
O que o BTG Pactual projeta para a economia brasileira? O banco condicionou projeções mais favoráveis ao comprometimento do governo com a agenda fiscal. Com avanços como a isenção do IR até R$ 5 mil e a Reforma Tributária em curso, parte das condições foi atendida, mas o mercado acompanha se o ritmo se sustenta.
O Bolsa Família e o BPC podem ser recebidos ao mesmo tempo? Não. A regra publicada em junho de 2026 garante apenas uma transição protegida: quem solicita o BPC mantém o Bolsa Família durante a análise. Se o BPC for aprovado, o Bolsa Família é encerrado.
O que muda com a isenção do IR para renda até R$ 5 mil? Dez milhões de brasileiros deixam de pagar Imposto de Renda. Outros cinco milhões com renda entre R$ 5 mil e R$ 7.350 passam a ter desconto progressivo. A medida foi aprovada pela Câmara em outubro de 2025 e seguia para apreciação do Senado.
Por que o governo Lula defende agenda fiscal e social ao mesmo tempo? A tese central do terceiro mandato é que inclusão social e responsabilidade fiscal não são opostos. Os indicadores de emprego, poder de compra do salário mínimo e cobertura dos programas sociais são usados como evidência dessa combinação.
- esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3
- ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula
- camara.leg.br — https://www.camara.leg.br/tv/208552-deputados-e-cientistas-politicos-analisam-os-oito-anos-de-governo-lula
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/10/lula-sobre-conquistas-da-gestao-colheita-supersafra
- g1.globo.com — https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/06/03/governo-publica-regra-que-permite-manter-o-bolsa-familia-durante-analise-do-bpc.ghtml
- em.com.br — https://www.em.com.br/mundo-corporativo/2026/06/7433792-stabilidade-gestao-tributaria-amplia-atuacao-no-setor-medico.html