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Economista do BTG aponta reformas fiscais como chave para 2026

Economista-chefe do BTG Pactual analisa o que o governo Lula precisa fazer em 2026 para sustentar crescimento e manter políticas sociais de pé.

Por Caio Bittencourt · Reporter de Economia Popular
TL;DR · 5 min de leitura

Economista-chefe do BTG Pactual analisa o que o governo Lula precisa fazer em 2026 para sustentar crescimento e manter políticas sociais de pé.

O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, tem um recado direto para quem acompanha a economia brasileira: sem compromisso real com a responsabilidade fiscal e com reformas estruturais, as projeções do país para 2026 ficam ameaçadas. A análise parte de um dos nomes mais respeitados do mercado financeiro nacional e reacende um debate que o governo Lula 3 ainda precisa responder com clareza.

Nos últimos sete anos, o Brasil aprovou mudanças profundas mesmo em ambientes políticos hostis, segundo o Esfera Brasil. O teto de gastos de 2016 foi a primeira tentativa de conter o crescimento da dívida pública pelo corte gradual de despesas. Veio depois a Lei das Estatais, com regras mais rigorosas para nomeações em empresas públicas, e a reforma trabalhista de 2017, que reduziu em mais de 40% a litigiosidade nas relações de emprego.

Mansueto Almeida sintetiza o argumento central: quando o governo sinaliza comprometimento com a agenda fiscal, melhora a percepção de risco do país e abre espaço para projeções mais otimistas. Simples assim, e difícil assim.

A aposta social do governo Lula 3

O terceiro mandato de Lula começou com foco nas pessoas mais vulneráveis. Nos primeiros 100 dias, o Bolsa Família voltou com garantia de R$ 600 mensais e um adicional de R$ 150 para cada criança de zero a seis anos, beneficiando 8,9 milhões de crianças em 7,2 milhões de famílias. Segundo o portal Gov.br, mais de 21,1 milhões de famílias receberam o benefício em março de 2023, com média de R$ 670,33, o maior valor da história do programa.

Paralelamente, o Mais Médicos foi reativado com meta de 15 mil profissionais contratados em 2023. Antes, 5 mil equipes de saúde em todo o país operavam sem médico. O programa havia sido desidratado na gestão anterior, deixando municípios menores à própria sorte.

O PT de Minas registrou que um terço das promessas de campanha havia sido cumprido nos primeiros cem dias. Para quem viveu o desmonte das políticas públicas entre 2019 e 2022, o sinal foi de reconstrução concreta, não apenas retórica.

O fio que une as duas agendas

A tensão entre investimento social e equilíbrio fiscal não é novidade na política brasileira. O que diferencia 2026 é o contexto: juros em patamar ainda elevado, inflação monitorada de perto e eleições presidenciais à vista. O governo precisa demonstrar que as duas agendas podem conviver sem uma comprometer a outra.

O próprio histórico de Lula aponta um caminho possível. Entre 2003 e 2010, o Brasil combinou políticas sociais robustas com responsabilidade fiscal, gerando queda consistente da pobreza e confiança dos investidores, como registra a Wikipedia ao retraçar aquele ciclo. A questão hoje é se o governo Lula 3 consegue repetir a fórmula num ambiente externo mais turbulento e com a dívida pública em patamar mais alto do que nos anos 2000.

O que 2026 coloca em jogo

Anos eleitorais têm lógica própria: governos tendem a expandir gastos para consolidar apoio popular. O risco, apontado por analistas de mercado, é que esse movimento pressione ainda mais a dívida pública sem reformas que ampliem receitas ou reduzam despesas obrigatórias.

Para o trabalhador que precisa de crédito ou para a família que depende do Bolsa Família, o debate fiscal parece distante, mas não é. Juros mais altos encarecem o financiamento da casa própria, reduzem o crédito para pequenas empresas e comprimem o orçamento disponível para programas sociais. É o ciclo que o governo Lula prometeu romper em todos os seus mandatos.

A agenda de reformas que Mansueto Almeida considera essencial ainda precisa ganhar contorno concreto: quais mudanças, com que profundidade, com que calendário. O ano de 2026 vai cobrar essa resposta.

FAQ

Quais reformas o economista do BTG considera essenciais para 2026? Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, defende compromisso com a responsabilidade fiscal e reformas estruturais como condição para melhorar as projeções econômicas do país. O foco está no controle do gasto público e em medidas que ampliem a confiança dos investidores.

O Bolsa Família aumentou no governo Lula 3? Sim. O programa foi reestruturado com valor mínimo de R$ 600 e adicional de R$ 150 por criança de zero a seis anos. Em março de 2023, mais de 21 milhões de famílias receberam em média R$ 670, o maior valor histórico do programa.

Quais foram as principais reformas econômicas aprovadas nos últimos anos no Brasil? Entre 2016 e 2017 foram aprovados o teto de gastos, a Lei das Estatais com novas regras de governança e a reforma trabalhista, mudanças que alteraram a estrutura das finanças públicas e das relações de trabalho no país.

Por que a agenda fiscal afeta quem depende de programas sociais? Desequilíbrio fiscal pressiona os juros para cima, encarece o crédito e pode reduzir o orçamento para programas como Bolsa Família, Mais Médicos e habitação popular. O equilíbrio das contas públicas é condição para sustentar a política social no médio prazo.

Fontes
  • esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3
  • ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula
  • gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/04/em-100-dias-250-realizacoes-que-ja-mudaram-os-rumos-do-brasil
  • pt.wikipedia.org — https://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva
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