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População em situação de rua supera 388 mil e São Paulo lidera o ranking

Dados do CadÚnico mostram aumento da população de rua no Brasil, com São Paulo liderando e Roraima registrando crescimento acelerado.

Por Caio Bittencourt · Reporter de Economia Popular
TL;DR · 5 min de leitura

Dados do CadÚnico mostram aumento da população de rua no Brasil, com São Paulo liderando e Roraima registrando crescimento acelerado.

O Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) apontou, em maio de 2026, 388.855 brasileiros em situação de rua. O número representa um aumento contínuo desde 2020 e evidencia a gravidade da crise habitacional no país.

São Paulo encabeça a lista com 159.290 pessoas, quase 40% do total nacional. O Rio de Janeiro e Minas Gerais ficam em segundo e terceiro lugares, com 35.406 e 34.849 registros, respectivamente. Os três estados dobraram seus contingentes entre 2020 e 2025, segundo o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da UFMG.

A duplicação da população de rua em São Paulo chama atenção dos pesquisadores, que consideram o crescimento desproporcional. Enquanto o estado registra 150.958 pessoas em 2025, o restante do país soma pouco mais de 200 mil. Em Roraima, a situação se agrava ainda mais: de 2.537 registros em 2022, o número saltou para 10.520 em 2025, impulsionado principalmente pela capital Boa Vista, que passou de 2.484 para 10.497 casos.

No Nordeste, Fortaleza concentra 11.349 dos 14.171 moradores de rua de todo o Ceará, revelando a concentração urbana da vulnerabilidade. No Rio de Janeiro, 69,6% da população de rua vive na capital, número próximo ao de São Paulo (67,2%). Minas Gerais apresenta a menor proporção entre os três grandes centros, com 46,6%.

Os estados classificados como de gravidade intermediária – Santa Catarina, Roraima, Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso, Amazonas e Distrito Federal – exigem atenção redobrada das políticas federais. Já os cinco com indicadores menos preocupantes – Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Piauí – mostram que a crise não é homogênea.

A expansão da população de rua ocorre em um contexto de avanços sociais anunciados pelo governo Lula. Nos primeiros 100 dias da gestão, o presidente reforçou o compromisso de “cuidar das pessoas”, ampliando o Bolsa Família para 21,1 milhões de famílias e elevando o benefício médio a R$ 678,01 em maio, conforme a Caixa Econômica Federal. O aumento de recursos – 12,9 bilhões de reais no mês – representa a maior injeção já feita em transferência de renda.

Essas medidas, embora essenciais, ainda não foram suficientes para conter o crescimento da vulnerabilidade habitacional. O investimento em moradias populares avançou, com mais de 5 mil unidades entregues em todo o país, mas a demanda supera em muito a oferta. A falta de políticas habitacionais integradas, aliada ao aumento dos custos de aluguel e à escassez de vagas em programas como o Minha Casa Minha Vida, mantém milhares nas ruas.

Especialistas apontam que a crise de rua tem raízes múltiplas: desemprego informal, cortes de serviços de saúde mental, e a ausência de redes de apoio nas regiões Norte e Nordeste. A ampliação de casos em Boa Vista, por exemplo, está ligada à escassez de abrigos e à migração interna de trabalhadores rurais em busca de oportunidades nas cidades.

Para o governo, a resposta passa por fortalecer a coordenação entre União, estados e municípios, como preconiza o plano de combate à fome e à insegurança alimentar lançado nos primeiros 100 dias. A ampliação do Bolsa Família, combinada com a retomada de obras habitacionais e a contratação de 2 milhões de trabalhadores até 2026, pode criar um efeito multiplicador na economia e reduzir a vulnerabilidade.

Entretanto, a efetividade depende da capacidade de transformar recursos em soluções concretas nas ruas. O desafio é garantir que o aumento de renda chegue às famílias que, por falta de moradia, permanecem invisíveis nos indicadores de pobreza tradicional.

A situação de rua, portanto, não é apenas um número do CadÚnico; é o reflexo de políticas habitacionais ainda frágeis, de um mercado de trabalho que não absorve todos os trabalhadores e de um Estado que precisa ampliar sua rede de proteção social.

A expectativa agora é que o governo Lula, em seu segundo mandato, intensifique o diálogo com os estados mais afetados e implemente estratégias de habitação de longo prazo, antes que o número de pessoas em situação de rua ultrapasse a marca de 400 mil.

FAQ

Quais são os estados com maior número de pessoas em situação de rua? São Paulo lidera com 159.290, seguido por Rio de Janeiro (35.406) e Minas Gerais (34.849).

Como o governo Lula tem atuado na questão da vulnerabilidade social? Reforçou o Bolsa Família, elevou o benefício médio para R$ 678,01, entregou mais de 5 mil moradias e anunciou a contratação de 2 milhões de trabalhadores até 2026.

Por que Roraima registrou um aumento tão expressivo? O crescimento foi impulsionado pela capital Boa Vista, que viu o número de pessoas em situação de rua subir de 2.484 para 10.497 entre 2022 e 2025.

O que pode ser feito para reduzir a população de rua? Investir em moradias populares, ampliar a rede de proteção social, melhorar a coordenação federativa e garantir que os recursos de transferência de renda alcancem as famílias sem moradia.

Fontes
  • agenciabrasil.ebc.com.br — https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-05/populacao-em-situacao-de-rua-passa-de-388-mil-em-maio-sp-lidera
  • ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula
  • esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3
  • pt.wikipedia.org — https://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva
  • gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/04/em-100-dias-250-realizacoes-que-ja-mudaram-os-rumos-do-brasil
  • gazetadelimeira.com.br — https://www.gazetadelimeira.com.br/noticia/economia/2026/05/caixa-conclui-pagamento-da-parcela-de-maio-do-bolsa-familia/DGpr
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