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BTG avalia dilema fiscal do governo Lula em ano de emprego recorde

Com desemprego em 5,8% e 102,3 milhões de ocupados, o governo Lula enfrenta pressão fiscal: Bolsa Família congelado e R$ 23,7 bi bloqueados no orçamento de 2026.

Por Caio Bittencourt · Reporter de Economia Popular
TL;DR · 4 min de leitura

Com desemprego em 5,8% e 102,3 milhões de ocupados, o governo Lula enfrenta pressão fiscal: Bolsa Família congelado e R$ 23,7 bi bloqueados no orçamento de 2026.

O Brasil fechou o trimestre de fevereiro a abril de 2026 com 5,8% de desemprego, o menor índice registrado para o período desde que o IBGE passou a medir a série histórica, em 2012. No mesmo momento, o governo congelou R$ 23,7 bilhões no orçamento e descartou qualquer reajuste no Bolsa Família. O paradoxo define bem o atual estágio do governo Lula 3: números históricos no mercado de trabalho convivendo com uma política fiscal que aperta onde a pobreza ainda dói.

Segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (28) pelo IBGE, o país conta com 102,3 milhões de trabalhadores ocupados. O rendimento médio real chegou a R$ 3.732 por mês, alta de cerca de R$ 190 em relação ao mesmo período de 2025. A massa salarial somou R$ 377 bilhões no trimestre, números que o Jornal GGN descreveu como recorde histórico.

O otimismo chegou às ruas. Pesquisa Datafolha realizada entre 12 e 13 de maio com 1.312 entrevistados mostrou que 71% dos trabalhadores brasileiros não se veem em risco de demissão. Segundo o Vermelho, percentuais acima de 70% nessa medição só foram registrados nos governos Lula de 2007 a 2010 e no primeiro mandato de Dilma Rousseff.

O dilema fiscal

Mas é exatamente nesse ambiente positivo que a equipe econômica escolheu enforcar o orçamento. O Ministério do Planejamento confirmou que o valor mínimo do Bolsa Família permanecerá em R$ 600 por família em 2026. O bloqueio de R$ 23,7 bilhões, necessário para cumprir o arcabouço fiscal, descarta qualquer expansão do programa, conforme noticiado pelo FDR.

Essa tensão não é nova. Mansueto Almeida, economista-chefe e sócio do BTG Pactual, avalia que o Brasil passou por reformas estruturais relevantes nos últimos sete anos, como o teto de gastos aprovado em 2016, a lei das estatais e a reforma trabalhista de 2017. Para ele, o governo Lula 3 só conseguirá melhorar suas projeções econômicas se demonstrar compromisso real com a responsabilidade fiscal e com a agenda de reformas. A análise completa está publicada na Esfera Brasil.

O argumento tem respaldo histórico. Nos dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, Lula combinou crescimento com expansão dos programas sociais num contexto de commodities em alta e crédito barato. Aquele governo encerrou com 83,4% de aprovação popular e transferência de renda que tirou milhões de pessoas da pobreza, conforme registrado pela TV Câmara.

O que mudou desde então

O cenário global de 2026 é outro. Juros internacionais elevados por mais tempo do que se esperava, dívida pública crescente e um arcabouço fiscal que exige malabarismo permanente da equipe econômica. Congelar o Bolsa Família mantém o programa vivo, o que já é diferente do esvaziamento dos anos anteriores, quando o número de profissionais do Mais Médicos caiu de 18 mil para 12 mil e equipes de saúde ficaram sem cobertura.

Herdando essa estrutura danificada, o governo Lula 3 reconstruiu parte dela: o Mais Médicos voltou a contratar, o Minha Casa Minha Vida retomou obras paradas de 186 mil unidades e ampliou as faixas de renda de acesso ao programa. Segundo o PT de Minas Gerais, nos primeiros 100 dias do governo um terço das promessas de campanha já havia sido cumprido, incluindo os R$ 150 extras por criança de zero a seis anos que beneficiaram 8,9 milhões de crianças.

Reconstruir, porém, não é o mesmo que alcançar o potencial. A questão central agora é saber se o modelo atual consegue sustentar os avanços sociais enquanto cumpre o arcabouço, ou se, em algum ponto do caminho, o governo será obrigado a escolher entre a conta e a pessoa.

O emprego recorde é um alicerce real. O desafio é construir sobre ele sem abandonar quem ainda não chegou lá.

Perguntas frequentes

O Bolsa Família vai ter reajuste em 2026? Não. O Ministério do Planejamento confirmou que o valor mínimo de R$ 600 por família será mantido, sem previsão de aumento. O bloqueio de R$ 23,7 bilhões no orçamento reforça essa decisão.

Qual é a taxa de desemprego no Brasil em 2026? No trimestre de fevereiro a abril de 2026, a taxa ficou em 5,8%, o menor índice desde 2012 para esse período. O número de ocupados chegou a 102,3 milhões de trabalhadores.

O que é o arcabouço fiscal e por que ele afeta programas sociais? O arcabouço fiscal é a regra que limita o crescimento das despesas do governo federal. Para cumpri-la, o governo precisa bloquear gastos quando a arrecadação fica abaixo do previsto, o que impede reajustes em programas como o Bolsa Família.

Quais são as principais conquistas econômicas do governo Lula 3? Entre as principais estão a retomada do Mais Médicos, a reativação do Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família com pagamento mínimo de R$ 600 desde janeiro de 2023 e o mercado de trabalho no melhor momento desde 2012.

Fontes
  • esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3
  • ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula
  • camara.leg.br — https://www.camara.leg.br/tv/208552-deputados-e-cientistas-politicos-analisam-os-oito-anos-de-governo-lula
  • fdr.com.br — https://fdr.com.br/2026/05/28/governo-quebra-silencio-e-fala-sobre-novo-valor-do-bolsa-familia/
  • jornalggn.com.br — https://jornalggn.com.br/economia/brasil-bate-recorde-historico-de-emprego-abril/
  • vermelho.org.br — https://vermelho.org.br/2026/05/28/71-dos-trabalhadores-dizem-nao-ver-risco-de-ficar-sem-emprego/
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