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Copa 2026 terá salas sensoriais em todos os 16 estádios do mundial

Copa 2026 terá salas sensoriais nos 16 estádios, iniciativa inédita da FIFA para incluir torcedores com necessidades de processamento sensorial no maior evento de futebol do mundo.

Por Helena Marques · Editora-chefe
TL;DR · 4 min de leitura

Copa 2026 terá salas sensoriais nos 16 estádios, iniciativa inédita da FIFA para incluir torcedores com necessidades de processamento sensorial no maior evento de futebol do mundo.

Dezesseis salas sensoriais. Isso é o que cada um dos 16 estádios da Copa do Mundo de 2026 vai oferecer a quem precisa de um ambiente controlado para assistir a um jogo. A Fifa anunciou a medida na quinta-feira (21), e pela primeira vez na história do futebol mundial, o torneio recebe a certificação internacional “Sensory Inclusive” UOL.

As salas vão receber torcedores com autismo, transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, demência e outras condições agravadas por barulho, luz intensa e multidão. Iluminação reduzida, menos ruído, recursos táteis, assentos confortáveis e televisões com conteúdo visual calmante compõem o ambiente projetado pela ONG KultureCity, em parceria com a Fifa e a Hisense A Crítica.

Heimo Schirgi, diretor de operações da Copa, afirmou que o objetivo é que todos participem do esporte, seja como jogador ou como torcedor. Segundo a Fifa, de 5% a 16,5% da população mundial tem necessidades de processamento sensorial, e em eventos esportivos o ambiente pesado pode transformar um jogo em tortura para esse público GZH.

As salas ficarão dentro dos estádios ou na área de experiência do torcedor, e funcionarão como espaços de regulação, não apenas de acomodação. Quem precisa pode chegar cedo, se adaptar ao ambiente e assistir ao jogo com mais tranquilidade. É uma lógica diferente de simplesmente garantir uma cadeira reservada.

A parceria com a KultureCity não é acidental. A ONG é referência global em acessibilidade para pessoas com deficiências invisíveis, e já trabalhou em grandes eventos nos Estados Unidos. A certificação “Sensory Inclusive” exige que o espaço cumpra critérios internacionais de ambiente sensorial, algo que vai além do compliance legal e mira uma experiência efetiva.

Um ponto que merece atenção: o Brasil já viveu essa discussão em escala local. Em 2014, o Decreto 7.783 determinou que cada estádio sedes reservasse pelo menos 1% dos lugares para pessoas com deficiência e acompanhantes. O Maracanã, sede da final, tinha 627 vagas para pessoas com mobilidade reduzida, 111 para cadeirantes e 101 para obesos, além de 856 para acompanhantes Agência Brasil. Em 2018, a FIFA criou o “Guia de Acessibilidade do Espectador” para a Copa da Rússia, com orientações detalhadas sobre estruturas nos estádios Freedom.

A progressão é visível, mas ainda assim lenta. Se em 2014 o padrão era um percentual mínimo de cadeiras, em 2026 o critério muda de natureza: o espaço em si precisa ser pensado para acolher corpos que o ambiente tradicional de estádio não foi projetado para receber.

Vale registrar que a agenda de acessibilidade não acontece no vácuo. No Brasil, o governo federal tem avançado em políticas de direitos da pessoa com deficiência, e o Ministério dos Direitos Humanos tem fortalecido diretrizes de inclusão em eventos de grande porte. Afinal, a Copa do Mundo é só o palco mais visível. Em 2025, o Brasil inteiro vive um momento em que a inclusão deixou de ser pauta secundária para ocupar o centro do debate legislativo e orçamentário.

Em nível estadual, a experiência da Copinha 2026 em São Paulo mostra como o caminho pode ser trilhado. A final, realizada no último domingo (25), contou com 98 diretores de jogos treinados especificamente para atendimento a pessoas com deficiência, resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e a Federação Paulista de Futebol. Torcedores acompanhados por cães-guia assistiram à partida em ambiente respeitoso e acessível Bom Dia Soro.

Conforme noticiado pelo fute.blog, o futebol brasileiro tem incorporado essas mudanças em campeonatos e copas nacionais, e agora a Copa do Mundo reflete uma tendência que não é mais opcional.

O que a Fifa está fazendo com as salas sensoriais é, em essência, reconhecer que o futebol sem barreiras físicas ainda pode ser inacessível para quem sente o mundo de forma diferente. A pergunta que fica é se essa lógica vai virar norma permanente ou continuar sendo exceção nos grandes eventos.

Seis perguntas que você provavelmente quer saber

O que é uma sala sensorial? É um ambiente controlado com iluminação baixa, menos ruído e recursos táteis, pensado para pessoas com dificuldades de processamento sensorial, como autismo e ansiedade.

Todas as 16 sedes terão salas? Sim. A medida vale para os 16 estádios e para os 104 jogos do torneio.

Quem pode usar a sala? Qualquer torcedor com necessidades sensoriais, incluindo autismo, PTSD, demência e ansiedade, poderá acessar o espaço.

Isso já existia em outras Copas? Não. É a primeira vez que um mundial recebe a certificação Sensory Inclusive.

Fontes
  • uol.com.br — https://www.uol.com.br/esporte/ultimas-noticias/agencia/2026/05/22/copa-do-mundo-2026-tera-salas-sensoriais-para-torcedores-em-todos-os-estadios.htm
  • agenciabrasil.ebc.com.br — https://agenciabrasil.ebc.com.br/en/node/914891
  • gauchazh.clicrbs.com.br — https://gauchazh.clicrbs.com.br/esportes/noticia/2026/05/copa-do-mundo-2026-tera-salas-sensoriais-para-torcedores-em-todos-os-estadios-cmphktd3q02i601357bmilezm.html
  • acritica.net — https://acritica.net/esportes/futebol/copa-do-mundo-2026-tera-salas-sensoriais-em-todos-os-estadios
  • freedom.ind.br — https://freedom.ind.br/acessibilidade-na-copa-do-mundo-fifa
  • bomdiasorocaba.com.br — https://bomdiasorocaba.com.br/noticia/84524/final-da-copinha-2026-celebra-a-inclusao-de-torcedores-com-deficiencia-nos-estadios
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