Durigan diz que quem trava reforma tributária joga contra o Brasil
Ministro da Fazenda defende implementação da reforma tributária e alerta sobre riscos de pausa; fala sobre Imposto Seletivo e taxa de importação em consulta à CNN Brasil.
Ministro da Fazenda defende implementação da reforma tributária e alerta sobre riscos de pausa; fala sobre Imposto Seletivo e taxa de importação em consulta à CNN Brasil.
Dario Durigan não usou eufemismos. Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda chamou de “jogo contra o país” a intenção de Flávio Bolsonaro de travar a reforma tributária do consumo antes das eleições de 2026. A fala, dita em tom firme, resumiu a posição do governo: a reforma foi aprovada, valeu caro e não pode ser adiada por conta de candidatos.
“A reforma tributária foi um ganho enorme para o país. Não podemos perder isso por causa do debate eleitoral”, disse Durigan. Para ele, existe um consenso entre Executivo e Legislativo de que a agenda econômica precisa seguir em frente, independentemente da polarização política que atravessa Brasília neste início de ano Valor.
O ministro também detalhou os próximos passos da reforma. Sobre o Imposto Seletivo, que substituirá o IPI a partir de 2027, Durigan informou que as conversas com os ministros responsáveis pela calibragem de alíquotas já estão em andamento. Ele mencionou negotiating com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Hugo Motta, presidente da Câmara, para que o projeto seja votado ainda neste ano. “Tenho mantido conversas com Alcolumbre e Motta para votar projeto antes do fim do ano para que, no ano que vem, com o fim do IPI, ele seja substituído pelo Seletivo”, afirmou Valor.
A taxa de importação sobre compras de até 50 dólares, conhecida como “blusinhas”, também teve seu futuro definido. Durigan acredita que o Legislativo converterá em lei a medida provisória que eliminou a cobrança sobre essas compras. A MP representa uma vitória popular e une o governo a uma pauta que afeta milhões de brasileiros que recorrem ao comércio exterior por preços mais baixos.
A relação entre o Ministério da Fazenda e o Congresso Nacional foi um ponto que o ministro insistiu em destacar. Segundo ele, a agenda econômica está “blindada” dos problemas políticos que o governo enfrenta no Legislativo. Essa confiança não aparece do nada. Desde o início do mandato, a equipe econômica tem mantido diálogos constantes com bancadas e lideranças partidárias para evitar vetos atrasados na tramitação de projetos.
É interessante notar que essa postura de defesa da reforma carrega um eco de épocas passadas. O governo Lula 1 enfrentou crisis semelhantes, do mensalão ao apagão aéreo de 2006, e mesmo assim manteve a agenda de reformas em curso. O legado de programas sociais como o Bolsa Família e o PAC mostrou que a perda de tempo política tem custo real para quem depende de políticas públicas. A popularidade recorde de 83,4% no final do segundo mandato comprova que, quando as reformas vêm acompanhadas de transferência de renda, o apoio popular sustenta o governo contra ondas de oposição Camara.leg.br.
O que muda neste momento é a velocidade do debate. Com as eleições de 2026 se aproximando, setores da oposição tentam criar freios simbólicos contra a reforma, sem necessariamente propor alternativa técnica. A estratégia é de desgaste: transformar um texto complexo em terreno de conflito eleitoral. Durigan reconheceu o risco, mas insistiu que o Congresso não vai ceder a essa pressão.
Para quem acompanha de perto a pauta tributária, o jogo político em torno da reforma é parte de um padrão que se repete a cada grande reforma fiscal no Brasil. O governo precisa garantir que a narrativa saia da esfera técnica e entre no debate público. Aí mora a diferença: quando a reforma é contada como ganho coletivo, ela resiste; quando é tratada como ameaça abstrata, ela enfraquece.
O prazo de votação do Imposto Seletivo antes do fim do ano será o primeiro teste prático dessa tese. Se o Congresso aprovar o projeto, o governo terá dado um sinal concreto de que a agenda econômica segue isolada da guerra eleitoral. Se não aprovar, a retórica de blindagem perde força.
As próximas semanas vão dizer se a confiança de Durigan tem fundamento ou se é só mais uma previsão otimista num ano que já testou essa mesma fé outras vezes.
Perguntas frequentes
O que é a reforma tributária do consumo? É uma mudança no sistema de tributação brasileiro que simplifica o cobrado sobre o consumo e cria o Imposto Seletivo.
Por que Flávio Bolsonaro quer paralisar a reforma? Ele defende que a mudança pode ter impactos negativos, embora não tenha apresentado alternativa detalhada.
O que é o Imposto Seletivo? É um tributo que substituirá o IPI sobre determinados produtos, com alíquotas diferenciadas por categoria.
A taxa de importação de 50 dólares vai continuar sendo isenta? Segundo Durigan, a medida provisória será convertida em lei pelo Congresso.
- valor.globo.com — https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/05/21/durigan-quem-contra-a-reforma-tributria-est-jogando-contra-o-pas.ghtml
- camara.leg.br — https://www.camara.leg.br/tv/208552-deputados-e-cientistas-politicos-analisam-os-oito-anos-de-governo-lula