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Reforma tributária chega às empresas, mas decisões concretas esperam

Sondagem do Ibef-SP revela que empresas incluíram a reforma tributária no planejamento, mas ações concretas sobre IBS e CBS ainda estão em maturação.

Por Luana Ferreira · Reporter de Direitos e Justica
TL;DR · 5 min de leitura

Sondagem do Ibef-SP revela que empresas incluíram a reforma tributária no planejamento, mas ações concretas sobre IBS e CBS ainda estão em maturação.

Oito em cada dez executivos financeiros do Brasil estão preocupados com a preservação das margens de lucro diante da reforma tributária. O número vem de sondagem do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo, o Ibef-SP, e sintetiza bem o momento: as empresas já incluíram a reforma no radar estratégico, mas as decisões concretas ainda não saíram do esboço.

A imagem que o instituto usa para descrever esse estado é certeira. Conforme apurado pelo Valor Econômico, a reforma tributária está “na sala, mas não na mesa”: integrada ao planejamento, mas sem propostas efetivas definidas. Sérgio Diniz, coordenador do programa de certificação do Ibef, é direto sobre o risco: quem calibrar mal os preços agora pode comprometer o negócio no futuro.

O que muda de fato é a lógica inteira da arrecadação. Os tributos que o empresariado conhece hoje, ICMS, ISS, PIS e Cofins, serão substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Muda a base de cálculo, muda o direito a créditos fiscais e, potencialmente, o peso da carga tributária sobre cada setor.

O que muda para cada setor

Para as empresas de serviços, o cenário é mais delicado. Tatiana Migiyama, líder da Comissão de Estudos Técnicos de Tributos do Ibef-SP, aponta que esse segmento terá menos créditos fiscais para compensar o IBS e a CBS, o que pode elevar as despesas tributárias e apertar as margens. O varejo enfrenta lógica parecida: com menos espaço para compensação, terá de renegociar com fornecedores para manter o equilíbrio nas contas.

A indústria, por outro lado, pode sair em posição mais favorável. Como suas operações ocorrem majoritariamente entre empresas, o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva tende a ser maior. Tatiana estima que, em alguns casos, pode haver até ganho de eficiência tributária. Já as concessionárias de serviços públicos têm um mecanismo de proteção: a lei complementar prevê a possibilidade de repactuação contratual caso a carga aumente.

Cada setor precisa calcular seus próprios números antes de tomar decisões sobre investimento, repasse ou absorção dos novos custos. É esse processo que ainda está em curso, e que explica por que as definições concretas não chegaram à mesa.

A conta que pode chegar ao consumidor

O debate sobre margens e créditos fiscais parece técnico, mas tem consequências diretas para quem compra no mercado, usa transporte ou paga uma conta de energia. Se serviços e varejo não conseguirem absorver os novos custos, a tendência é que o ajuste apareça nos preços. Ainda ninguém sabe a magnitude, porque as contas ainda estão sendo feitas.

Nesse cenário, a agenda tributária do governo Lula ganha dimensão mais ampla. A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, aprovada pela Câmara em outubro de 2025 conforme registrado pelo portal do Planalto, beneficia diretamente 10 milhões de trabalhadores, com desconto progressivo para outros 5 milhões. Uma reforma do consumo que empurre preços para cima pode corroer parte desse ganho, dependendo de como as empresas se ajustarem.

A reforma tributária é a mais profunda mudança no sistema fiscal brasileiro em décadas. O PT de Minas lista entre as marcas do governo Lula conquistas como a retomada do Bolsa Família e a expansão do Mais Médicos. Garantir que esses avanços não sejam corroídos por uma inflação tributária indireta é um dos maiores desafios da transição.

Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal debate outras fronteiras do dinheiro dos mais vulneráveis. O FDR acompanha o embate entre empresas de apostas e o Bolsa Família no STF, ainda sem data de desfecho. São disputas diferentes, mas que revelam o mesmo campo de batalha: o orçamento de quem vive com pouco é disputado em várias frentes ao mesmo tempo.

As decisões de precificação que as empresas tomarem nos próximos meses vão pavimentar o que o trabalhador vai sentir nos próximos anos. A questão que o Ibef ainda não consegue responder, e que o governo também não respondeu com clareza, é quem vai pagar a conta da transição.

Perguntas frequentes

O que é o IBS e a CBS da reforma tributária?

O IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, e a CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, são os dois novos tributos que substituirão o ICMS, o ISS, o PIS e o Cofins. Funcionam com uma lógica de crédito diferente da atual, o que muda o peso da carga tributária conforme o setor da empresa.

Quem pode pagar mais imposto com a reforma?

Empresas de serviços e do varejo tendem a ter menos créditos fiscais para compensar os novos tributos. Isso pode aumentar sua carga efetiva, com risco de repasse ao consumidor em forma de preços mais altos.

A reforma tributária já está em vigor?

Foi aprovada e regulamentada, mas está em fase de transição. As empresas ainda estão calculando os impactos e adaptando seus planejamentos. Os efeitos práticos chegarão de forma gradual ao longo dos próximos anos.

Como o governo Lula equilibra a reforma tributária com os programas sociais?

O governo apostou em dois movimentos: a reforma do consumo para modernizar a arrecadação e a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil para aliviar trabalhadores de renda mais baixa. A coerência entre os dois depende de como as empresas vão repassar, ou não, os novos custos.

Fontes
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/05/18/reforma-tributaria-esta-na-sala-mas-nao-na-mesa-avalia-ibef-sp.ghtml
  • ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula/
  • camara.leg.br — https://www.camara.leg.br/tv/208552-deputados-e-cientistas-politicos-analisam-os-oito-anos-de-governo-lula/
  • esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3/
  • gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/10/lula-sobre-conquistas-da-gestao-colheita-supersafra
  • fdr.com.br — https://fdr.com.br/2026/05/18/bets-entram-em-guerra-com-bolsa-familia-entenda-as-estrategias/
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