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Poder · · 4 min de leitura

Brasil bate recorde: 3.644 mortes no trabalho em 2025

O Brasil bateu recorde histórico de acidentes e mortes no trabalho em 2025, acumulando 27 mil vidas perdidas em dez anos. Entenda o que os dados revelam.

Por Luana Ferreira · Reporter de Direitos e Justica
TL;DR · 4 min de leitura

O Brasil bateu recorde histórico de acidentes e mortes no trabalho em 2025, acumulando 27 mil vidas perdidas em dez anos. Entenda o que os dados revelam.

Em 2025, o Brasil bateu um recorde que ninguém queria ver. Foram 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes no ano, o pior resultado já registrado no país, segundo levantamento da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego. Os caminhoneiros foram a categoria com mais óbitos.

O número mais pesado, porém, está na série histórica. Entre 2016 e 2025, segundo apuração do G1, o Brasil somou 6,4 milhões de ocorrências e 27.486 vidas perdidas no trabalho. O total de dias de trabalho perdidos passa de 106 milhões por afastamentos temporários, e chega a cerca de 249 milhões quando somados os impactos permanentes de lesões graves e óbitos.

Cada estatística tem rosto, família, conta para pagar no fim do mês. São homens e mulheres que saíram cedo de casa e não voltaram.

O peso dos dados

A pesquisa foi elaborada com base nas Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) registradas no INSS e no eSocial. Os dados cobrem apenas trabalhadores com carteira assinada. O enorme contingente de trabalhadores informais do país fica fora da contagem.

Na prática, o quadro real pode ser ainda mais grave. O Brasil tem dezenas de milhões de trabalhadores sem vínculo formal, invisíveis nas estatísticas de acidentes e mortes. Pedreiro sem registro, vendedor ambulante, entregador de aplicativo sem proteção trabalhista: esses trabalhadores não entram na conta oficial.

Caminhoneiros lideram os óbitos, e isso não surpreende num país onde o transporte de cargas depende quase inteiramente das estradas. Jornadas longas, metas agressivas e rodovias em estado precário formam um ambiente que mata. A discussão sobre a escala 6x1, que voltou ao centro do debate no governo Lula nos últimos meses, deixou claro que o trabalhador brasileiro é pressionado além do limite.

Entre conquistas e lacunas

O governo Lula 2025 acumula avanços em direitos sociais que merecem reconhecimento. Segundo balanço divulgado pela TVT News, o ministro Rui Costa destacou que, entre 2022 e 2024, cerca de 9 milhões de brasileiros superaram a linha da pobreza e outros 13 milhões saíram da extrema pobreza. Para os mais vulneráveis, a renda cresceu 13,2%.

Mas proteger a vida do trabalhador vai além da transferência de renda. Implica fiscalização rigorosa nos canteiros de obra, normas de segurança que se cumprem na prática e uma cultura empresarial que trate prevenção como obrigação, não como custo. O Governo Federal tem instrumentos legais para agir nisso, e a questão é se essa agenda andará com a mesma velocidade das pautas econômicas.

Historicamente, o Brasil nunca tratou segurança no trabalho como prioridade de Estado. O tema entra e sai da pauta sem que mudanças estruturais aconteçam. Com 2026 sendo o último ano do mandato, aliados e movimentos sindicais, como registrado pelo PT de Minas, cobram que as entregas cheguem à ponta, ao trabalhador que acorda todo dia incerto se vai voltar.

O que vem pela frente

Um país que retira mais de 22 milhões de pessoas da pobreza em dois anos não pode conviver com a morte de mais de 3.600 trabalhadores por acidentes evitáveis. A próxima pressão sobre o governo será transformar fiscalização em prioridade orçamentária e mostrar que saúde do trabalhador não é detalhe num programa de governo: é a base de tudo.

Perguntas frequentes

O que são as Comunicações de Acidentes de Trabalho?

São documentos obrigatórios que o empregador deve emitir quando um trabalhador formal sofre acidente ou adoece por causa do trabalho. O CAT é registrado no INSS e serve de base para as estatísticas oficiais de acidentes no país.

Por que os caminhoneiros lideram os óbitos?

A categoria enfrenta jornadas extensas, pressão por cumprimento de prazos e rodovias em condições precárias. Esses fatores, combinados, elevam muito o risco de acidentes fatais.

Trabalhadores informais aparecem nessas estatísticas?

Não. O levantamento cobre apenas quem tem carteira assinada. As estatísticas refletem uma parte do problema; a informalidade, que concentra condições mais precárias, fica de fora da conta.

O que o governo pode fazer para reduzir esses números?

Ampliar a fiscalização do trabalho, atualizar as normas regulamentadoras e responsabilizar empresas por negligência em segurança. Essas medidas já existem no arcabouço legal, mas precisam de vontade política para sair do papel.

Fontes
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/04/28/brasil-registra-recorde-de-acidentes-e-mortes-no-trabalho-em-2025-caminhoneiros-lideram-obitos.ghtml
  • ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula/
  • tvtnews.com.br — https://tvtnews.com.br/governo-lula-apresenta-resultados-historicos/
  • gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/04/em-100-dias-250-realizacoes-que-ja-mudaram-os-rumos-do-brasil
  • pt.wikipedia.org — https://pt.wikipedia.org/wiki/Governo_Lula_(2003%E2%80%932011)
  • folhape.com.br — https://www.folhape.com.br/noticias/prazo-para-isencaode-taxado-enem-2026-termina-nesta-quinta-feira/483694/
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