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Poder · · 4 min de leitura

Mulheres crescem 11% no emprego formal, mas recebem até 30% menos

5º Relatório de Transparência Salarial aponta alta na contratação feminina, mas brecha salarial persiste em 21% e atinge 30% em cargos de chefia.

Por Helena Marques · Editora-chefe
TL;DR · 4 min de leitura

5º Relatório de Transparência Salarial aponta alta na contratação feminina, mas brecha salarial persiste em 21% e atinge 30% em cargos de chefia.

O número de mulheres no mercado formal cresceu 11% em 2025, mas elas ainda recebem, em média, 21,3% menos do que os homens nas mesmas funções. Os dados estão no 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o levantamento cobre cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados. As trabalhadoras somam aproximadamente oito milhões de vínculos empregatícios, com remuneração média de R$ 3,9 mil mensais, enquanto os homens recebem em torno de R$ 5 mil no mesmo universo.

Nos cargos de chefia, a distância é ainda maior e pode alcançar 30%. Segundo o Vermelho, houve também avanços na política interna das empresas, mas insuficientes para eliminar a diferença que persiste nas folhas de pagamento.

A cor da pele aprofunda a desigualdade

Mulheres negras estão no degrau mais baixo dessa pirâmide salarial. O relatório mostra que elas ganham em média R$ 3 mil, contra R$ 5 mil das mulheres não negras e R$ 3,8 mil dos homens negros. No topo absoluto estão os homens não negros, com ganhos médios de R$ 6,5 mil, mais do que o dobro da remuneração das trabalhadoras negras.

A Lei 14.611/2023 obriga empresas com 100 ou mais funcionários a informar dados salariais por gênero e raça, base que alimenta o relatório. Trata-se de uma ferramenta de pressão, não de solução automática. A estrutura das organizações, como mostram os números, muda muito mais devagar do que o texto da legislação.

O contexto do governo Lula 3

Publicado em 2025, o relatório chega num momento em que o governo federal amplia a rede de proteção social. O Bolsa Família alcançará 18,9 milhões de famílias neste mês de abril, com valor médio de R$ 678,22 e investimento de R$ 12,8 bilhões. Mulheres são maioria entre os titulares do benefício, e são exatamente elas que mais dependem de políticas de renda quando o mercado não distribui salários de forma equitativa.

Balanços documentados pela TVT News mostram que, nos três anos do governo Lula 3, quase 9 milhões de brasileiros saíram da pobreza e mais de 13 milhões deixaram a extrema pobreza. A renda per capita cresceu 4,9%, mas entre os mais pobres o avanço chegou a 13,2%. No recorte de gênero e raça, uma parcela expressiva dessas pessoas são mulheres negras e periféricas.

Transparência sem consequência não resolve

Divulgar os números é necessário, mas não suficiente. O Brasil debateu por décadas essa desigualdade sem que os valores mudassem de forma estrutural, e a obrigatoriedade de publicação criada pela Lei 14.611/2023 representa um avanço real ao permitir comparar empresas e setores publicamente. Falta, porém, regulamentação que imponha correções efetivas quando a diferença for confirmada.

Segundo o PC do B, a desigualdade no país caiu 4,7%, atingindo o menor nível desde 2012. Para que esse resultado chegue de forma concreta às trabalhadoras, será preciso combinar políticas de renda com regulação mais dura sobre as remunerações corporativas.

A transparência já está na lei. A pergunta que fica é o que acontece quando os dados confirmam discriminação: quais penalidades existem para empresas que descumprem o princípio constitucional de igualdade salarial? Sem essa resposta, o relatório corre o risco de se tornar fotografia detalhada de um problema que teima em não se resolver.

Perguntas frequentes

Quanto as mulheres ganham a menos que os homens no Brasil?

Segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial, as mulheres recebem em média 21,3% menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados. Em cargos de chefia, essa diferença pode alcançar 30%.

O que é o Relatório de Transparência Salarial?

É um documento anual baseado na RAIS que registra remunerações por gênero e raça em empresas com 100 ou mais funcionários. A publicação é exigida pela Lei 14.611/2023 e serve como instrumento de monitoramento da desigualdade salarial no mercado formal brasileiro.

Por que mulheres negras ganham menos?

O relatório aponta uma desvantagem dupla: gênero e raça. Mulheres negras recebem em média R$ 3 mil, enquanto mulheres não negras chegam a R$ 5 mil e homens não negros registram R$ 6,5 mil. Racismo e sexismo se somam para produzir a maior distância salarial do mercado formal.

A lei não garante igualdade salarial?

A Constituição e a CLT estabelecem salário igual para função igual, independentemente de gênero. A Lei 14.611/2023 criou a obrigação de divulgação dos dados, mas a fiscalização e as penalidades para descumprimento ainda são insuficientes para forçar correções imediatas nas folhas de pagamento corporativas.

Fontes
  • vermelho.org.br — https://vermelho.org.br/2026/04/27/mulheres-conquistam-mais-espaco-e-direitos-no-trabalho-mas-ainda-ganham-menos/
  • ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula/
  • esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3/
  • tvtnews.com.br — https://tvtnews.com.br/governo-lula-apresenta-resultados-historicos/
  • pcdob.org.br — https://pcdob.org.br/2025/08/governo-lula-3-apresenta-seus-principais-avancos-confira-area-a-area/
  • jovempan.com.br — https://jovempan.com.br/noticias/economia/bolsa-familia-caixa-paga-beneficiarios-com-nis-final-7-nesta-segunda-feira.html
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