PT aprova manifesto com 8 reformas e mira reeleição de Lula em 2026
PT encerra 8º Congresso Nacional com manifesto de reformas estruturais, incluindo democratização do Judiciário, de olho nas eleições de 2026.
PT encerra 8º Congresso Nacional com manifesto de reformas estruturais, incluindo democratização do Judiciário, de olho nas eleições de 2026.
O Partido dos Trabalhadores encerrou neste domingo (26) o seu 8º Congresso Nacional com a aprovação de um manifesto que defende oito reformas estruturais para o país, entre elas a do Poder Judiciário. O documento, intitulado “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”, foi debatido por dirigentes e militantes reunidos em Brasília desde sexta-feira (24).
A proposta de reforma judicial busca democratizar a instituição, criar mecanismos de autocorreção e fortalecer o Estado de Direito, segundo o texto aprovado. É uma pauta que circula nos bastidores da esquerda há anos e que ganhou tração recente em meio a tensões entre o governo e setores do sistema de Justiça.
Lula não foi ao encerramento. O presidente permaneceu em São Paulo se recuperando de dois procedimentos médicos realizados na sexta-feira, segundo o Metrópoles.
O foco do congresso, no entanto, foi principalmente eleitoral. A maior parte das discussões girou em torno das estratégias para 2026 e das diretrizes do programa de campanha à reeleição do presidente. A revisão do programa partidário, que incluiria debates sobre organização interna e estatuto, foi adiada para o primeiro semestre de 2027 por decisão do diretório nacional.
Na abertura do evento, na sexta-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu o legado econômico do governo e traçou uma comparação direta com a gestão anterior. Enquanto Bolsonaro tentou recriar a CPMF, disse o vice, o governo Lula conduziu a reforma tributária que unificou impostos num IVA dual. Estudos do Ipea projetam que a mudança pode elevar o PIB em 12% ao longo de 15 anos, conforme noticiou o Diário do Comércio. Alckmin também destacou que Lula desonerou quem ganha até R$ 5 mil, enquanto o governo anterior desonerou jet ski e veleiros.
O contexto das reformas
O manifesto chegou num momento em que o governo Lula 3 acumula conquistas sociais que o PT quer usar como plataforma para 2026. Quase 9 milhões de brasileiros saíram da pobreza e mais de 13 milhões deixaram a extrema pobreza entre 2022 e 2024, segundo balanço apresentado pelo ministro Rui Costa em reunião ministerial divulgada pela TVT News. A renda per capita cresceu 4,9% no período, mas entre os mais pobres o avanço chegou a 13,2%.
Na saúde, o SUS bateu recorde em 2024 com 14 milhões de cirurgias eletivas, salto de 37% sobre o último ano do governo Bolsonaro. O Minha Casa Minha Vida retomou obras e expandiu contratações em todo o país, e o Pé-de-Meia já atende 5,6 milhões de jovens. Esses números fazem parte do balanço detalhado publicado pelo PCdoB em agosto de 2025 e que o PT pretende usar como pano de fundo do seu programa eleitoral.
A reforma do Judiciário, contudo, é o item mais sensível da lista. Propor mudanças nessa área é um campo minado: qualquer discussão é rapidamente instrumentalizada pela oposição como ataque à independência das instituições. Ao enquadrar a proposta como democratização e fortalecimento do Estado de Direito, o PT tenta retirar essa narrativa das mãos de quem quer pintá-la como autoritarismo.
Não é a primeira vez que a esquerda brasileira toca nesse assunto. O debate remonta, pelo menos, à criação do Conselho Nacional de Justiça, nos anos 2000, e ressurge toda vez que tensões entre os poderes se aprofundam. O que muda agora é o contexto: com eleições na mira, o PT transforma uma bandeira histórica em pilar explícito de um projeto de poder.
O caminho até 2026
O congresso deixou claro que o partido entra na corrida eleitoral com um discurso de continuidade e aprofundamento. A ausência de Lula no encerramento, por razões de saúde, não apagou sua centralidade como figura que organiza a coalizão governista. Os temas adiados para 2027, como estatuto e revisão organizacional, ficam para depois da eleição.
A elaboração formal do programa de governo começa agora. Se a reforma do Judiciário vai virar proposta concreta de campanha ou permanecer como diretriz geral do manifesto, isso ainda está em aberto. A resposta da oposição e da imprensa nas próximas semanas vai ajudar a ditar o ritmo desse debate.
Perguntas frequentes
O que é o 8º Congresso Nacional do PT? É o maior encontro do partido, onde dirigentes e militantes debatem o programa político, a organização interna e as estratégias eleitorais. O 8º congresso aconteceu entre os dias 24 e 26 de abril de 2026, em Brasília.
Quais são as 8 reformas do manifesto? O texto aprovado elenca oito reformas estruturais, com destaque para a do Judiciário. O conteúdo detalhado das demais propostas não estava disponível nas fontes consultadas até o fechamento desta matéria.
O que o PT propõe na reforma do Judiciário? O manifesto defende a democratização do Poder Judiciário, a criação de mecanismos de autocorreção e o fortalecimento do Estado de Direito. Não foram especificadas medidas pontuais, como limites de mandato para ministros ou outras mudanças que circulam no debate público.
Por que Lula não foi ao encerramento do congresso? O presidente se recuperava em São Paulo de dois procedimentos médicos realizados na sexta-feira (24) e por isso não participou do encerramento do 8º Congresso Nacional do PT.
- metropoles.com — https://www.metropoles.com/brasil/em-congresso-pt-aprova-manifesto-que-pede-reforma-do-judiciario
- ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula/
- tvtnews.com.br — https://tvtnews.com.br/governo-lula-apresenta-resultados-historicos/
- pcdob.org.br — https://pcdob.org.br/2025/08/governo-lula-3-apresenta-seus-principais-avancos-confira-area-a-area/
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/04/em-100-dias-250-realizacoes-que-ja-mudaram-os-rumos-do-brasil
- diariodocomercio.com.br — https://diariodocomercio.com.br/politica/alckmin-governo-anterior-queria-cpmf-reforma-tributaria/