Bernard Appy explica a reforma tributária ao vivo
O arquiteto da reforma tributária fala sobre split payment, IBS, CBS e os impactos no dia a dia das empresas e consumidores.
O arquiteto da reforma tributária fala sobre split payment, IBS, CBS e os impactos no dia a dia das empresas e consumidores.
Bernard Appy, o economista que dirigiu a Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária, concede entrevista ao vivo hoje, 15 de abril, a partir das 19h, no canal do YouTube do Valor Econômico. O tema é a maior transformação do sistema tributário brasileiro desde 1960, cuja fase de transição entrou em vigor em janeiro deste ano.
A conversa será conduzida pela repórter Marta Watanabe e pelo editor-executivo Fernando Torres. Para contabilistas, advogados tributaristas e gestores financeiros que precisam entender o que muda na prática, essa é uma janela rara de acesso direto ao arquiteto da reforma.
O sistema que vai mudar
A reforma substitui tributos sobrepostos pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). O impacto percorre toda a cadeia produtiva: fornecedores, distribuidores e varejistas terão de absorver ou repassar efeitos que ainda estão sendo dimensionados pelos próprios setores.
Um dos mecanismos que mais gera dúvidas é o split payment, pelo qual o recolhimento do tributo é distribuído automaticamente entre os elos da cadeia no momento de cada transação. Segundo o Valor Econômico, há grande expectativa em torno desse mecanismo, e os aspectos operacionais ainda estão em processo de regulamentação pelo governo. Empresas que operam com contratos de longo prazo ou dependem de sistemas integrados de gestão precisam começar a se mover agora.
A transição tem prazo definido: começou em janeiro de 2026 e vai até 2033. Oito anos parecem longos, mas reorganizar contratos, sistemas e processos internos exige tempo, e as decisões tomadas hoje definem quem estará preparado para o novo regime.
O que muda para trabalhadores e pequenas empresas
Para quem tem menor estrutura, a reforma tem potencial redistributivo concreto. O modelo atual, fragmentado entre tributos federais, estaduais e municipais, impõe custo de conformidade desproporcional a micro e pequenas empresas, que gastam relativamente mais tempo e dinheiro para calcular e recolher impostos do que grandes corporações.
A unificação proposta pode reduzir essa assimetria. Mas o Valor Econômico reporta que o governo reconhece ter regulamentação ainda em aberto, e que as empresas precisam fazer sua parte renegociando contratos afetados pela mudança na cadeia de tributos.
Essa live de hoje, portanto, é evento de utilidade pública disfarçado de entrevista jornalística. Para a maioria dos profissionais afetados pela reforma, será uma das poucas oportunidades de ouvir diretamente quem a desenhou.
Um curso para quem vai implementar as novas regras
A entrevista de Appy também abre o curso online “Reforma Tributária na Prática: Estrutura, Funcionamento e Aplicação do IBS e da CBS”, organizado pelo Valor Econômico. São seis módulos, cinco deles setoriais, dirigidos a advogados, contabilistas, profissionais de compliance, gestores de sistemas e empresários.
As aulas começam em 13 de maio, às quartas-feiras, das 19h às 22h, sempre ao vivo. Depois, as gravações serão disponibilizadas para quem não puder acompanhar em tempo real. Inscrições abertas.
Uma reforma décadas atrasada
O Brasil debateu durante décadas uma reforma tributária abrangente sem conseguir avançar. O sistema consolidado ao longo do século XX acumulou distorções que encarecem produtos, prejudicam a competitividade e oneram mais quem tem menor renda, já que os mais pobres destinam parcela maior do orçamento ao consumo tributado.
Luiz Inácio Lula da Silva, que em governos anteriores ampliou programas de transferência de renda que mudaram a base de consumo do país, assinou a reforma como parte de uma agenda econômica mais ampla. A questão agora é execução.
O prazo fecha em 2033. O que define quem vai atravessar essa transição de pé, e quem vai tropeçar, está sendo decidido agora.
Perguntas frequentes
O que é o split payment? É o mecanismo pelo qual o IBS e a CBS são recolhidos automaticamente entre os participantes da cadeia no momento de cada transação, sem repasse manual posterior.
Quando começa a valer o novo sistema tributário? A transição começou em janeiro de 2026 e termina em 2033. Durante esse período, o sistema antigo e o novo coexistem de forma gradual.
Como assistir à live do Bernard Appy hoje? A entrevista começa às 19h desta quarta-feira, 15 de abril, no canal do YouTube do Valor Econômico.
A reforma vai aumentar ou reduzir meus impostos? Depende do setor e do porte da empresa. A proposta é simplificar e reduzir cumulatividade, mas o impacto final depende da regulamentação em curso e de como contratos serão renegociados na sua cadeia.
- valor.globo.com — https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/04/15/bernard-appy-explica-reforma-tributaria-em-live-do-valor.ghtml
- ptmg.org.br — https://ptmg.org.br/veja-as-principais-conquistas-dos-100-dias-do-governo-lula/
- camara.leg.br — https://www.camara.leg.br/tv/208552-deputados-e-cientistas-politicos-analisam-os-oito-anos-de-governo-lula/
- esferabrasil.com.br — https://esferabrasil.com.br/newsletter/as-conquistas-da-economia-brasileira-nos-ultimos-7-anos-e-os-desafios-do-governo-lula-3/
- pt.wikipedia.org — https://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/04/em-100-dias-250-realizacoes-que-ja-mudaram-os-rumos-do-brasil