Auditores debatem reforma e carga tributária bate recorde histórico
Estados se preparam para a Reforma Tributária enquanto a carga tributária atinge 32,4% do PIB em 2025; saiba o que muda para trabalhadores e municípios.
Estados se preparam para a Reforma Tributária enquanto a carga tributária atinge 32,4% do PIB em 2025; saiba o que muda para trabalhadores e municípios.
A carga tributária do Brasil chegou a 32,4% do Produto Interno Bruto em 2025, o patamar mais alto desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 2010. A notícia veio na mesma semana em que auditores fiscais de Rondônia se reuniram em Porto Velho para debater o que a Reforma Tributária muda, na prática, para quem trabalha e para quem governa.
O avanço de 0,18 ponto percentual sobre o índice de 2024 foi impulsionado, conforme apurou o CRN1, pela expansão do emprego formal e pela atividade econômica no país. A arrecadação cresceu mais na esfera federal do que nos estados, que registraram leve retração. Isso não é um detalhe técnico: é o mapa do conflito que a reforma vai ter de resolver.
O debate nos estados
No IV Congresso Estadual dos Auditores Fiscais (IV CONEFISCO), promovido pelo Sindafisco em Porto Velho nesta sexta-feira (10), o secretário de Finanças de Rondônia, Franco Maegaki Ono, foi direto ao ponto. A implementação do novo modelo exige que estados e municípios operem de forma integrada, num processo que ele mesmo descreveu como árduo, mas inevitável. Segundo o Tudo Rondônia, o secretário destacou que Rondônia produz mais do que consome, o que coloca o estado em posição delicada na transição para um sistema tributário baseado no destino de consumo.
Estados exportadores líquidos tendem a perder arrecadação quando o sistema migra para tributos cobrados onde o produto é consumido, não onde é produzido. Para compensar, o secretário citou apostas em zonas de livre comércio em Guajará-Mirim e num hub de transporte para atrair investimentos. São caminhos razoáveis, mas que dependem de regulamentações que a reforma ainda não fechou.
O que muda para o trabalhador
Enquanto técnicos e gestores debatem alíquotas e competências federativas, uma resposta prática chega na quarta-feira (15): o pagamento do Abono Salarial do PIS/Pasep 2026. Segundo o Valor Investe, cerca de 4 milhões de trabalhadores nascidos em março e abril vão receber entre R$ 136 e R$ 1.621, conforme os meses trabalhados em 2024, para quem teve remuneração mensal de até R$ 2.766.
Ao todo, 25,4 milhões de trabalhadores serão beneficiados neste ciclo. O abono é pago pela Caixa Econômica Federal (PIS) e pelo Banco do Brasil (Pasep); a consulta pode ser feita pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, pelo portal Gov.br ou pelo telefone 158.
A valorização do emprego formal
Esse apego ao trabalho com carteira assinada tem respaldo em pesquisa recente. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), citado pelo Jornal Cruzeiro, aponta que mais de um terço dos trabalhadores que buscaram emprego recentemente prefere o modelo CLT. Férias, décimo terceiro, FGTS e previdência social continuam sendo diferenciais decisivos, mesmo com o avanço das plataformas de trabalho por aplicativo.
A reforma tributária incide diretamente sobre esse cenário. Simplificar o sistema pode reduzir o custo de contratação e estimular a formalização do mercado de trabalho, mas, se mal calibrada, pode também aprofundar desigualdades entre regiões ricas e pobres, já que estados menores dependem de mecanismos de compensação que ainda estão sendo negociados.
O Brasil tributário que vem por aí
O recorde de arrecadação de 2025 revela uma contradição produtiva: mais gente trabalhando formalmente significa mais contribuição ao fisco, o que eleva a carga como proporção do PIB, mas também financia os programas que protegem esses mesmos trabalhadores. O Bolsa Família, o SUS e o abono salarial existem porque há arrecadação para sustentá-los. A discussão sobre quanto tributar e de quem cobrar é, no fundo, uma discussão sobre que país queremos ter.
A Reforma Tributária aprovada no Congresso promete simplificar. Ainda falta saber se vai distribuir melhor. Os próximos meses, com a regulamentação em curso e estados como Rondônia negociando saídas, vão mostrar se o novo sistema serve a quem produz riqueza ou apenas a quem a concentra.
Perguntas frequentes
O que é o Abono Salarial do PIS/Pasep e quem tem direito?
É um benefício anual pago a trabalhadores formais com remuneração mensal de até dois salários mínimos no ano-base. Para receber em 2026, é preciso estar cadastrado no PIS/Pasep há ao menos cinco anos, ter trabalhado pelo menos 30 dias em 2024 e ter os dados corretamente informados pelo empregador no eSocial.
O que muda para estados como Rondônia com a Reforma Tributária?
Estados que produzem mais do que consomem tendem a perder arrecadação quando o sistema migra para tributação no destino. A reforma exige integração entre entes federativos num processo ainda em construção, o que pode impactar serviços públicos locais dependendo da regulamentação final.
Por que a carga tributária bateu recorde em 2025?
O crescimento do emprego formal e da atividade econômica elevaram a arrecadação federal. O Tesouro Nacional aponta que o aumento reflete tanto o volume nominal de impostos coletados quanto a dinâmica da economia no período, com os estados apresentando desempenho mais modesto.
Como consultar se tenho direito ao abono salarial 2026?
Pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, pelo portal Gov.br ou pelo telefone 158 do Ministério do Trabalho e Emprego. A consulta foi liberada em fevereiro e mostra valor, banco e data de depósito.
Fontes
- tudorondonia.com — https://www.tudorondonia.com/noticias/auditores-fiscais-debatem-impactos-da-reforma-tributaria,156457.shtml
- valorinveste.globo.com — https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/programas-sociais/noticia/2026/04/12/calendario-do-pis-pasep-abono-salarial-2026-veja-quem-recebe-na-quarta-feira-15-de-abril.ghtml
- crn1.com.br — https://crn1.com.br/2026/04/carga-tributaria-no-brasil-bate-recorde-e-atinge-324-do-pib-em-2025/
- jornalcruzeiro.com.br — https://www.jornalcruzeiro.com.br/geral/economia/2026/04/759383-pesquisa-mostra-preferencia-por-emprego-com-carteira-assinada.html