Brasileiros preferem CLT apesar do trabalho informal
Pesquisa da CNI revela que um terço dos trabalhadores quer carteira assinada. Emprego formal bate recorde de arrecadação em 2025.
Pesquisa da CNI revela que um terço dos trabalhadores quer carteira assinada. Emprego formal bate recorde de arrecadação em 2025.
Mais de um terço dos brasileiros que buscaram emprego recentemente apontaram o contrato com carteira assinada como a modalidade mais desejada. Os dados são de pesquisa divulgada pelo Jornal Cruzeiro, com base em levantamento da Confederação Nacional da Indústria, e chegam em um momento em que o emprego formal segue em expansão no país.
A preferência pela CLT não é novidade, mas ganhou novo peso com o avanço das plataformas digitais e do trabalho por aplicativo. Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, afirma que mesmo diante da multiplicação de novas formas de atuação profissional, os trabalhadores seguem colocando estabilidade, direitos e proteção previdenciária entre suas principais prioridades.
Na prática, os dados revelam que, por mais que o discurso de autonomia no trabalho informal tenha ganhado espaço, a segurança continua sendo o critério central para quem precisa planejar a vida.
A expansão do emprego formal
O crescimento do trabalho com carteira assinada também deixou rastro nas finanças públicas. Segundo o Tesouro Nacional, a carga tributária brasileira atingiu 32,4% do Produto Interno Bruto em 2025, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2010. Um dos principais fatores foi o aumento das contribuições previdenciárias e do Imposto de Renda Retido na Fonte, tributos diretamente ligados à formalização do trabalho.
Para o News Rondônia, o avanço de 0,18 ponto percentual na carga tributária foi motivado pela boa performance do mercado de trabalho e pela expansão da arrecadação federal. A União passou a representar 21,6% do PIB, enquanto os estados recuaram para 8,38% e os municípios avançaram levemente para 2,42%. Para o trabalhador com carteira, essa aritmética tem um significado concreto: mais gente no emprego formal significa mais recursos na Previdência, no FGTS e no sistema de proteção social que depende dessa base.
O debate sobre a Reforma Tributária chegou também às regiões. Em Porto Velho, auditores fiscais de Rondônia reuniram-se no IV Congresso Estadual do Sindafisco para discutir os impactos práticos da nova legislação. De acordo com o Tudo Rondônia, o secretário estadual de Finanças classificou a implementação como necessária, porém trabalhosa: ela exige integração entre União, estados e municípios, um processo que levará anos.
O que a oposição promete
No campo político, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, prometeu rever a Reforma Tributária caso chegue ao Palácio do Planalto. Em sabatina no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, ele afirmou que a legislação atual é excessivamente pesada para profissionais liberais e empreendedores. O GP1 reportou ainda declarações sobre mudanças no Judiciário, com propostas de mandato fixo para ministros do Supremo e restrições a decisões monocráticas.
O argumento de que a carga tributária seria insuportável ignora o que os próprios dados revelam: foi o crescimento do emprego formal e da economia real que empurrou a arrecadação para cima. Não foi uma pressão arbitrária do Estado sobre a sociedade. Foi o resultado de mais gente trabalhando com carteira, pagando Previdência e contribuindo para o sistema que, um dia, devolverá essa proteção a elas.
O que a história mostra
Durante o governo anterior, o país viu a informalidade crescer e o poder de compra dos trabalhadores encolher. A retomada do emprego formal inverte essa tendência e dá substância ao que a pesquisa da CNI confirma: quando há escolha real, o trabalhador quer direitos, não vulnerabilidade disfarçada de autonomia.
A Reforma Tributária, ainda em fase de implementação, tem potencial de simplificar o sistema e reduzir o peso dos impostos que incidem proporcionalmente mais sobre quem ganha menos. Desfazê-la, como promete parte da oposição, significaria recuar em uma mudança estrutural que o Brasil precisou de mais de 30 anos para aprovar.
Questão de escolha
O debate sobre emprego formal e tributação não é apenas técnico. É uma disputa sobre o tipo de proteção social que o país vai oferecer a quem trabalha. E a pesquisa da CNI deixa claro que, do lado do trabalhador, a resposta já foi dada.
FAQ
O que garante o emprego com carteira assinada no Brasil? O contrato CLT assegura férias remuneradas, décimo terceiro salário, FGTS, seguro-desemprego e acesso à Previdência Social. São direitos que o trabalho informal e por aplicativo, em geral, não oferecem ao trabalhador.
Por que a carga tributária bateu recorde em 2025? O Tesouro Nacional aponta que o crescimento do emprego formal e da atividade econômica foram os principais responsáveis pelo avanço. Mais trabalhadores com carteira geram mais contribuições previdenciárias e mais Imposto de Renda Retido na Fonte.
O que muda com a Reforma Tributária para o trabalhador comum? A reforma unifica impostos sobre consumo com o objetivo de simplificar o sistema e torná-lo menos regressivo, ou seja, menos pesado para quem tem menor renda. A implementação está em curso e envolve negociação entre todos os entes federativos.
O que Flávio Bolsonaro propõe para os impostos? O senador prometeu revisar a Reforma Tributária e reduzir a carga para profissionais liberais e empreendedores. Críticos apontam que desfazer a reforma significaria abandonar décadas de trabalho por um sistema tributário mais simples e equitativo.
- jornalcruzeiro.com.br — https://www.jornalcruzeiro.com.br/geral/economia/2026/04/759383-pesquisa-mostra-preferencia-por-emprego-com-carteira-assinada.html
- crn1.com.br — https://crn1.com.br/2026/04/carga-tributaria-no-brasil-bate-recorde-e-atinge-324-do-pib-em-2025/
- newsrondonia.com.br — https://newsrondonia.com.br/economia/2026/04/10/carga-tributaria-do-brasil-sobe-para-324-do-pib-e-bate-recorde-em-2025/
- tudorondonia.com — https://www.tudorondonia.com/noticias/auditores-fiscais-debatem-impactos-da-reforma-tributaria,156457.shtml
- gp1.com.br — https://www.gp1.com.br/brasil/noticia/2026/4/11/flavio-bolsonaro-promete-revisar-reforma-tributaria-e-fala-em-impeachment-de-ministros-do-stf-620487.html