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22º ATL começa hoje: indígenas tomam Brasília contra o Marco Temporal

Maior mobilização indígena da América Latina, o Acampamento Terra Livre 2026 reúne milhares de lideranças no Eixo Cultural Ibero-Americano até 11 de abril.

Por Redacao esquerda.blog
TL;DR · 3 min de leitura

Maior mobilização indígena da América Latina, o Acampamento Terra Livre 2026 reúne milhares de lideranças no Eixo Cultural Ibero-Americano até 11 de abril.

Milhares de lideranças ocupam Brasília a partir deste domingo

Mais de 7 mil indígenas participaram da edição de 2025, e 2026 promete superar esse número. O 22º Acampamento Terra Livre (ATL) tem início neste domingo (5) no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília, e segue até 11 de abril, reunindo lideranças das cinco regiões do país sob o tema ‘Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós’, segundo a APIB.

Sete organizações regionais indígenas integram a mobilização, que chega à capital federal com pauta clara: barrar a PEC 48, a versão parlamentar do Marco Temporal. A proposta ameaça rasgar direitos territoriais garantidos pela Constituição de 1988, ao tentar fixar como critério de demarcação apenas as terras ocupadas em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Carta. Na prática, isso jogaria fora décadas de luta e deslocaria comunidades inteiras que foram expulsas de seus territórios antes dessa data.

Dois atos de rua marcam a semana indígena

A programação do ATL 2026 estrutura-se em cinco eixos políticos: ‘A Resposta Somos Nós’; ‘Nosso Futuro Não Está à Venda’; ‘Nossa Luta Pela Vida!’; ‘Terra Demarcada, Brasil Soberano e Democracia Garantida’; e ‘Diga ao Povo que Avance’. O Instituto Socioambiental destaca que o evento inaugura oficialmente o Abril Indígena, mês de mobilizações em todo o país.

Duas marchas concentram a atenção para além dos debates internos. No dia 7 de abril, os povos originários saem às ruas especificamente contra a PEC 48. No dia 9, a cobrança muda de endereço e vai direto ao Executivo Federal: os povos exigem a homologação dos territórios indígenas ainda pendentes. O CIMI aponta que o ATL consolida o mês de abril como o período mais intenso de resistência dos povos originários no calendário político brasileiro.

Eleições 2026 entram na pauta do acampamento

O ATL deste ano vai além das pautas imediatas. A APIB coloca as eleições gerais de outubro no centro da estratégia, mobilizando comunidades para identificar e rejeitar candidaturas hostis ao meio ambiente e aos povos tradicionais. O fato é que, com o crescimento da bancada ruralista no Congresso, a disputa eleitoral vira uma extensão direta da luta territorial.

Para a APIB, conforme destacado pelo Combate Racismo Ambiental, demarcação de terra não é pauta ambiental isolada: floresta em pé, povo vivo e soberania nacional caminham juntos. Essa equação explica por que o ATL cresce a cada ano em tamanho e em peso político. Quanto mais o Congresso aperta o cerco, mais os povos originários respondem com organização, presença e força.

Fontes

  • APIB Oficial — https://apiboficial.org/2026/03/30/campanha-convoca-apoio-ao-acampamento-terra-livre-2026-maior-mobilizacao-indigena-do-pais/
  • Instituto Socioambiental — https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/acampamento-terra-livre-inicia-atividades-do-abril-indigena-em-brasilia-no
  • Combate Racismo Ambiental — https://racismoambiental.net.br/2026/04/02/acampamento-terra-livre-2026-reune-povos-indigenas-em-brasilia-contra-ataques-a-direitos/
  • CIMI — https://cimi.org.br/2026/04/apib-atl-2026-inicia-brasilia/
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