Trump declara guerra ao Pix para proteger lucros de Visa e Mastercard
Governo dos EUA classifica Pix como 'barreira comercial' e ameaça Brasil com tarifas. Sistema gratuito para o povo incomoda gigantes americanas de cartão de crédito.
Governo dos EUA classifica Pix como 'barreira comercial' e ameaça Brasil com tarifas. Sistema gratuito para o povo incomoda gigantes americanas de cartão de crédito.
O governo de Donald Trump escalou mais um ataque contra a soberania econômica do Brasil. Em relatório publicado no dia 31 de março pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), Washington classificou o Pix — o sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central — como uma “barreira comercial” que prejudicaria empresas americanas de cartão de crédito. O documento dedica nada menos que oito páginas de críticas ao Brasil, na chamada seção 301.
A motivação é tão clara quanto escandalosa: o Pix é gratuito para a população e cobra em média 0,33% dos comerciantes. Já os cartões das corporações americanas Visa e Mastercard cobram de 1,23% a 5% por transação. Em outras palavras, Trump quer que o trabalhador brasileiro pague mais caro para que acionistas de Wall Street lucrem mais.
O Pix é do povo — e os números provam
Os dados falam por si. Em 2025, o Pix movimentou impressionantes R$ 35,4 trilhões em 63,5 bilhões de transações, consolidando-se como a maior revolução financeira da história do Brasil. O sistema democratizou o acesso ao mercado financeiro, incluindo milhões de brasileiros que sequer tinham conta em banco antes de sua criação.
A economista Vivian Machado, do Dieese, destacou que “o Pix democratizou o acesso ao sistema financeiro no Brasil” e que a pressão americana busca “abrir mercado para corporações estrangeiras, não beneficiar o consumidor”. A análise é compartilhada por especialistas que alertam: as críticas dos EUA visam desmontar políticas públicas brasileiras que funcionam.
Ataque vai muito além do Pix
O relatório do USTR não para no sistema de pagamentos. Washington também mira a chamada “taxa das blusinhas” — o imposto de 60% sobre compras internacionais que protege o comércio e a indústria nacional —, a tarifa de 18% sobre o etanol importado dos EUA, o Projeto de Lei de regulação das big techs e até o comércio popular da Rua 25 de Março, em São Paulo. Na prática, o governo Trump quer ditar as regras econômicas do Brasil, desmontando a capacidade do país de proteger sua economia e seus trabalhadores.
Se a avaliação negativa do USTR for mantida, o relatório pode fundamentar a imposição de tarifas específicas contra produtos brasileiros — mais um capítulo da guerra comercial que Trump trava contra o mundo inteiro.
Governo Lula na mesa de negociação
A expectativa é que uma delegação do governo Lula seja chamada a Washington entre abril e maio para negociações. O momento exige firmeza na defesa da soberania nacional. O Pix não é uma “barreira comercial” — é uma conquista do povo brasileiro, um serviço público digital que reduziu custos, combateu a exclusão financeira e tirou poder das grandes corporações de meios de pagamento.
Ceder à pressão de Trump significaria entregar o bolso do trabalhador brasileiro aos interesses de Visa e Mastercard. O Brasil tem o direito — e o dever — de defender suas políticas públicas que funcionam.
Fontes
- CUT - Central Única dos Trabalhadores — https://www.cut.org.br/noticias/governo-trump-ataca-pix-novamente-por-sistema-brasileiro-nao-pagar-bilhoes-aos-e-c311
- Revista Fórum — https://revistaforum.com.br/global/governo-trump-investe-contra-o-pix-e-ameaca-brasil-com-retaliacao/